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Em documentário, Emicida reescreve a história do país e resgata cultura afrobrasileira

Autor: Felipe Mascari Data da postagem: 18:00 14/12/2020 Visualizacões: 289
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Show de lançamento de Emicida no Theatro Municipal é simbólico, é um marco temporal para a cultura preta. Por isso, a apresentação e os videos nos bastidores ditam a linha narrativa do documentário/ Imagem: Reprodução - Divulgação - RBA

Rapper usa seu experimento social ‘AmarElo’ para relembrar heróis negros brasileiros.

São Paulo – O rapper paulistano Emicida lançou, nesta terça-feira (8), seu documentário AmarElo – É Tudo pra Ontem, em parceria com a Netflix. Em novembro de 2019, o artista ocupou o Teatro Municipal, no centro de São Paulo, para o show de lançamento de seu último álbum AmarElo. Entretanto, o registro desse evento teve um objetivo maior que a criação de um DVD musical e foi usado como base para um documentário sobre heróis negros brasileiros, apagados pelo passado, e a construção da cultura afrobrasileira.

Emicida sempre afirmou que AmarElo era um trabalho muito além da música e das rimas. Para ele, o disco é um “experimento social”. Em seu documentário, o rapper usa o show no Teatro Municipal como base para apresentar esse projeto, que transforma o rap em “neo-samba”.

São Paulo – O rapper paulistano Emicida lançou, nesta terça-feira (8), seu documentário AmarElo – É Tudo pra Ontem, em parceria com a Netflix. Em novembro de 2019, o artista ocupou o Teatro Municipal, no centro de São Paulo, para o show de lançamento de seu último álbum AmarElo. Entretanto, o registro desse evento teve um objetivo maior que a criação de um DVD musical e foi usado como base para um documentário sobre heróis negros brasileiros, apagados pelo passado, e a construção da cultura afrobrasileira.

Emicida sempre afirmou que AmarElo era um trabalho muito além da música e das rimas. Para ele, o disco é um “experimento social”. Em seu documentário, o rapper usa o show no Teatro Municipal como base para apresentar esse projeto, que transforma o rap em “neo-samba”.

“Não sinto que eu vim, sinto que voltei. E, de alguma forma, meus sonhos começaram antes da minha chegada”, narra Emicida, logo na abertura do documentário. A frase exemplifica sua viagem no tempo, com a crença de que é possível antever o futuro quando se volta ao passado.

O Teatro Municipal

O show de lançamento de Emicida no Teatro Municipal é simbólico, e um marco temporal para a cultura preta. Por isso, a apresentação e os vídeos nos bastidores ditam a linha narrativa do documentário. O espaço cultural localizado no centro de São Paulo, palco do rapper naquele novembro de 2019, também deu lugar a outros momentos históricos.

Foi nas escadarias do Municipal, em 7 de julho de 1978, que centenas de manifestantes negros protestaram em razão da violência racial contra quatro garotos do time de voleibol infantil do Clube de Regatas Tietê e contra um homem acusado de roubar frutas em uma feira, que acabou preso, torturado e morto. Tudo isso no auge da ditadura civil-militar. Naquele dia, surgiu o Movimento Negro Unificado (MNU).

Como lembra Emicida em seu documentário, a ocupação do Teatro Municipal é uma reparação histórica. Apesar de construído por mãos negras, o local foi excludente para essas pessoas. Sua ocupação no Municipal não é só individual, mas coletiva. “A ideia é construir um movimento dentro de um espaço físico. Quando a gente subir naquele palco, vai ser a noite que transformou a vida de muita gente”, diz ele, no curta.

A Semana de Arte Moderna de 1922, que também ocorreu no mesmo teatro e é lembrada no filme, foi responsável por mudar as ideias gerais sobre a arte no país, exigindo feições mais nacionais e abrindo espaço para o samba. É aí que Emicida resgata não só o gênero como movimento político, mas também como elemento formador da identidade do rap nacional.

O neo-samba de Emicida

O documentário de Emicida é dividido em três atos: Plantar, Regar e Colher. Para reescrever a história, o rapper mostra a necessidade de se reconectar com a terra, para que seja possível resgatar suas raízes. Nos tempos atuais, esse movimento é necessário para a sociedade e para a política, e também para o hip-hop brasileiro.

A aula de história de Emicida apresenta novas perspectivas para essa cultura. Com o documentário, o artista mostra que, no Brasil, o rap não tem origem apenas com o DJ Kool Herc, nos Estados Unidos, na década de 1970. Os arquitetos Tebas e Teodoro Sampaio foram responsáveis pela mudança arquitetônica do centro da capital paulista, principalmente a região da São Bento, onde o hip-hop brasileiro ganhou vida.

Emicida deixa explícito como o rap tem muitas características do samba, sendo uma fonte direta e indireta de inspiração. Essa fusão do rap com a brasilidade sempre existiu, desde Ataliba e a Firma até Marcelo D2. A partir dessa reconexão com o passado e o gênero em AmarElo, Emicida classifica seu disco como “neo-samba”.

Assim como o samba, o rap brigou para ser reconhecido como uma arte relevante. Personagens como Clementina de Jesus e Adoniran Barbosa, que faziam retratos históricos do cotidiano, desaguam nas experiências atuais do rap. E é isso que Emicida busca escancarar, principalmente quando fortalece, durante o filme, a sua ligação com o sambista Wilson das Neves.

O documentário de Emicida mostra que AmarElo liga o passado ao futuro, trazendo a conexão entre marcos históricos e culturais. É uma apresentação do ciclo da natureza, onde tudo o que vivemos no hoje já aconteceu antes. Por isso, ao intitular o documentário como “É Tudo Pra Ontem”, o rapper aponta que há urgência nesse resgate ao passado.

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