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Mandela Day: líder africano nos lembrou que humanizar é se indignar e agir

Autor: Priscila Fonseca Data da postagem: 12:00 20/07/2021 Visualizacões: 49
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Semana Nelson Mandela/Imagem: Rogér Cipó - Reprodução - Uol

Líder de seu povo, advogado, ativista, condenado a prisão perpétua, prisioneiro, Prêmio Nobel da Paz, presidente, líder mundial. Todos estes títulos vividos são de um homem só: Rolihiahia Dalibhunga Mandela, conhecido mundialmente como Nelson Mandela.

África-Brasil

Me aproximo da história de Mandela a partir do sonho da professora Lia Diskin, fundadora da Associação Palas Athena do Brasil, de realizar a Semana Mandela no Brasil. Há sete anos estive em uma conversa no Consulado da África do Sul junto a Pedro Kelson, meu colega de trabalho na Palas. Dessa conversa iniciou-se a tradição da realização da Semana Mandela em São Paulo, em parceria com o Sesc e o Consulado e Embaixada da África no Sul no Brasil. A sétima edição aconteceu na última sexta, 16/07. Uma noite de celebração onde pensadores, artistas, ativistas celebraram o legado de Mandela.

Há sete anos, lembro que fui recebida por Dioka e Salome, cônsules do consulado na época, suas primeiras palavras para mim foram: "Welcome, my sister". Dioka me disse que o sentimento de irmandade entre os países africanos é constante e que o legado de Mandela colaborou muito para que os países começassem a se olhar com parceiros e não inimigos. Lembro de ter ficado reverberando essa frase por muito tempo, irmã de ideais, de sonhos por justiça e equidade.

Em conversas com José Adão, líder do MNU - Movimento Negro Unificado, ele me contou que pensadores brasileiros como Lélia Gonzáles, Abdias do Nascimento, entre outros se uniram ao movimento mundial "Free Mandela! até" conseguirem as articulações para a sua liberdade em 1990.

Mandela na prisão

Mandela nasceu em uma vila no interior da África do Sul, destinado a ser líder do seu povo. Não sei se seus pais imaginaram que ele seria líder mundial, referência para gerações e gerações com seu legado, talvez nem Mandela imaginasse que seus 27 anos preso, 18 em regime de solitária, fossem reverberar tanta transformação no mundo.

Mandela foi preso por lutar contra o apartheid, política de segregação que fez que uma população majoritária negra tivesse acesso negado a terras, saúde e direito de circulação. Retirados de suas terras, tiveram seus bairros demolidos e no lugar foram construídos bairros nobres brancos. Se a gente for olhar com calma não é muito diferente do que acontece nos processos de gentrificação (limpeza de áreas no centro de São Paulo) para "revitalização" dos espaços públicos das áreas centrais não é mesmo? Mas este é assunto para outro texto...

O tempo que Mandela passou na prisão foi importante para descobrir que o processo de apartheid só chegaria ao fim se negociações fossem feitas, e que o caminho da reconciliação era o melhor para que a violência diminuísse. Assim se iniciou um processo onde todo sul-africano pudesse caminhar livremente pelo país e tivesse acesso direitos, o que não quer dizer que as desigualdades não reverberem até hoje.

Mandela Day

Estes valores são base para o Mandela Day, instituído pela Nações Unidas desde 2009. Em 2019 foi lançado um projeto pelo movimento Mandela Day, com objetivo de uma década para lutar por diversas metas como nutrição de qualidade, água potável, ajuda aos moradores de rua, entre tantos outros pelo movimento Global Mandela Day. Este ano o foco são as comunidades atingidas pela pandemia da covid 19, que provocou impactos profundos na economia, educação e saúde dos menos favorecidos.

Não posso deixar sem honrar os nomes de Winnie Mandela, segunda esposa de Mandela, que apesar de pouco citada, esteve todos os anos na luta e é uma referência para nós mulheres, e a Graça Machel, última esposa e que ainda hoje, segue trabalhando pela diminuição das desigualdades. Mulheres que estiveram ao lado de Madiba e que construíram história. Olhar para a trajetória dessas mulheres me inspiram.

Comecei o texto descrevendo os títulos atribuídos à Mandela durante sua trajetória e reflito como este homem negro foi impactando as pessoas que estiveram junto consigo no processo de lutar por um mundo equânime. Por mais que Mandela tenha passado 18 anos em uma solitária ele nunca esteve sozinho, sua escolha por reconciliação, didática e estratégia coletiva influencia uma multidão que segue lutando por um mundo mais equânime. A liberdade de Mandela foi a libertação de um país e continua inspirando a construção de novas elaborações de conquistas pelo mundo.

Termino afirmando que os valores aprendidos e ensinados por Mandela seguem reverberando no mundo e ele teve o privilégio de ver a transformação começando a acontecer. Mandela me toca por sua doçura aprendida, seu olhar atento para os acontecimentos e capacidade de negociação e humanização das pessoas, talvez este possa ser um farol para o momento que vivemos; humanizar é se indignar e agir.

Para saber mais:

https://www.mandeladay.com/

https://www.palasathena.org.br/

https://www.un.org/en/events/mandeladay/take_action.shtml

 

 
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