Conheça oito patrimônios imateriais da cultura negra em BH

Autor: Thiago Rodrigues Data da postagem: 18:00 31/12/2021 Visualizacões: 109
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Patrimônios imateriais trazem culturas centenárias da população negra em Belo Horizonte/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

Bens representativos da história negra na capital mineira possuem reconhecimento do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

Belo Horizonte tem diversos bens culturais, que apresentam um pouco sobre a história e formações da população negra na cidade. Muitos desses bens são reconhecidos como patrimônios imateriais da cidade pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

Alguns desses bens ganharam destaque no projeto “Expedições do Patrimônio”, encontro virtual que aconteceu dentro da programação do Festival de Arte Negra (FAN). 
 
Na sétima edição, o projeto teve como tema “Patrimônio Cultural afro-brasileiro na história de Belo Horizonte”. O evento vai explorar os caminhos, percursos e histórias sobre bens da cultura negra na capital. 
 
Os patrimônios apresentados foram as festas de Iemanjá e dos Pretos Velhos; os quilombos Manzo Ngunzo Kaiango, Luízes, Mangueiras e Souza; o Terreiro Ilê Wopo Olojukan; e a Irmandade Nossa Senhora do Rosário do Jatobá. 
 
Apesar do foco ser a importância do patrimônio, o evento também é destinado para os debates sobre a cultura afro-brasileira presentes em BH. As apresentações foram conduzidas pelo historiador e doutor em Educação Marco Antônio Silva, coordenador educativo da Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo da Fundação Municipal de Cultura (FMC). 
 
O evento conta com a participação de Arminda Aparecida de Oliveira, professora e mestre em Educação, da Diretoria de Desenvolvimento e Articulação Institucional da Secretaria Municipal de Cultura. Alan Oziel, historiador e coordenador do setor de Patrimônio Imaterial da Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo Público também participa do bate-papo.
 
OITO PATRIMÔNIOS IMATERIAIS DA CULTURA NEGRA EM BH
 
Festa de Iemanjá 
 
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Festa de Iemenjá acontece anualmente, na orla da Lagoa da Pampulha/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas
 
A celebração reverência o orixá Iemenjá e se tornou um dos marcos da cultura de religiões de matriz africana em Belo Horizonte. A festa é realizada desde 1953, uma vez por ano, e reúne terreiros de umbanda e candomblé de toda a cidade no portal na Lagoa da Pampulha. 
 
Em 2007, foi inaugurado o Portal da Memória, de autoria do escultor Jorge dos Anjos. A ocupação de um espaço desse território da cidade por parte das comunidades de terreiro, além de reforçar importantes laços identitários, promove uma apropriação mais plural e democrática dos espaços públicos em Belo Horizonte.
 
Festa dos Pretos Velhos

Festa dos Pretos Velhos também acontece uma vez por ano/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

Realizada anualmente, a Festa dos Pretos Velhos reúne, assim como a Festa de Iemanjá, diversos terreiros de Belo Horizonte. O encontro acontece no sábado mais próximo do dia 13 de maio, na Praça Treze de Maio, no Bairro da Graça, conhecida como Praça dos Pretos de Velhos.
 
Na festa, são feitas Pretos Velhos, nas tradições da Umbanda são as entidades próximas aos antepassados escravizados, carregando sabedorias e conhecimentos.
 
Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango

Comunidade se expandiu para além das práticas religiosas, realizando oficinais para a sociedade e comunidades em sua volta/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

A Comunidade Quilombola Manzo Ngunzo Kaiango foi criada em 1970, na Região Leste de Belo Horizonte. Fundada por Mãe Efigênia, Efigênia Maria da Conceição ou Mametu Muiandê, a matriarca é figura essencial na construção do espaço na cidade.

Manzo Ngunzo Kaiango realiza consultas espirituais e rituais do candomblé. Além disso, lá são realizadas as festas de Pai Benedito, a festa do Caboclo e a festa do Exu Paredão. O quilombo também tem um papel social ativo, realizando atividades como oficinas de dança, percussão e elementos da cultura afro-brasileira.
 
Quilombo Luízes

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O Quilombo Luízes é localizado no bairro Grajaú, na Região Oeste de Belo Horizonte/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

Localizado no bairro Grajaú, na Região Oeste de Belo Horizonte, o Quilombo Luízes tem origem anterior à fundação da capital, em 1897. A história do lugar começa, na verdade, na cidade de Santa Luíza, quando o casal Maria Luíza e Vitalino chega ao local e se reúne com outros moradores que já habitavam o ambiente.
 
A agricultura sempre teve um forte vínculo com os membros da comunidade, que tinham o sustento financeiro e social  no cultivo de hortas pelos próprios moradores. O lugar possuía correntes de água em abundância, o que permitia a produção dos alimentos.
 
Quilombo Mangueiras

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70% dos habitantes do Quilombo Mangueiras são mulheres/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

A história do Quilombo Mangueiras se inicia no século XIX, com a compra do lugar pelo casal Cassiano José de Azevedo e Vicência Vieira de Lima. Lavradores, trabalharam no entorno do espaço antes de comprá-lo. O nome faz referência aos pés de manga presentes no local.

 
Seus descendentes foram responsáveis pela manutenção e expansão do local. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, 70% de seus habitantes são mulheres, que mantêm e constroem as tradições do lugar ao longo dos anos.
 
As práticas religiosas se intensificaram em 1970, principalmente com a umbanda, através do “Terreiro da Dona Isabel”.
 
Quilombo Souza

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Quilombo Souza foi fundado nos primeiros anos do século XX/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

Tradicional por realizar as festas no mês de junho em homenagem a Santo Antônio, São Pedro e São João, o Quilombo Souza foi fundado nos primeiros anos do século XX. O casal Petronillo de Sousa (1879-1921) e Elisa da Conceição deram início a história de uma das mais tradicionais comunidades quilombolas da cidade.

Os descendentes, principalmente as mulheres, deram sequência às tradições e práticas culturais e religiosas do quilombo. Também realizam atividades agrárias e de cultivo e plantio e de consumo próprio.
 
Terreiro Ilê Wopo Olojukan

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O Terreiro Ilê Wopo Olojukan traz as tradições da cultura Yorubá/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

É reconhecido como o primeiro Terreiro de Candomblé de Belo Horizonte, fundado em 1964, por Carlos Ribeiro da Silva, que veio de Salvador a BH para a criação do espaço. Tem como base as tradições da cultura Yorubá.

Sua sede fica na rua. Doutor Benedito Xavier, no bairro Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte. Foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Município em 1995, tem seu território e histórias afro-brasileiras preservadas e asseguradas.

Irmandade Nossa Senhora do Rosário do Jatobá

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Em 1995, a Irmandade Nossa Senhora do Rosário do Jatobá se tornou Patrimônio Cultural do Município/Imagem: Reprodução - Divulgação - Estado de Minas

 Um dos principais representantes da cultura negra dentro da religião católica, a Irmandade Nossa Senhora do Rosário do Jatobá vem preservando os elementos afro-brasileiros em BH. Os conhecimentos são repassados aos mais jovens para a continuidade das tradições.
Foi reconhecida em 1995 como Patrimônio Cultural do Município e é muito lembrada por seus festejos à Manganá, também celebrada e conhecida como Virgem Maria.
 
EXPEDIÇÕES DO PATRIMÔNIO
 
O projeto está na sétima edição. Criado em 2019, pela Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo Público da FMC, vem aprofundando os aprendizados sobre os bens. A proposta é permitir que, a cada edição, os participantes possam aprofundar o conhecimento e vivência dos bens materiais e imateriais do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte.
 
Para Marco Antônio, coordenador educativo da Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo da Fundação Municipal de Cultura (FMC), os patrimônios imateriais em Belo Horizonte são reconhecidos por sua associação com a cultura popular, principalmente com a cultura negra em BH.
 
“É importante que todas as referências culturais da cidade sejam respeitadas, preservadas, e isso é fundamental para que cada grupo que vive na cidade”, destaca Marco, apresentando como o conhecimento sobre as diversidades sociais é essencial para valorização do outro e também para a reflexão sobre o reconhecimento de si próprio.
 
O coordenador também comenta sobre a relevância e necessidade o tema, muito associado com as realizações do Festival de Arte Negra. 
“As pessoas que nos acompanham, que participaram recorrente dos nossos eventos, anseiam muito por essa discussão entre a questão dos relação entre os patrimônios imateriais e a cultura afro-brasileira na cidade"
 
Ao longo das edições, o projeto apresentou sobre os lambe-lambes, artes impressas coladas em espaços públicos. O evento também já debateu sobre lugares e regiões como a Praça da Estação de Belo Horizonte, a região da Pampulha, os bairros Santa Tereza e Lagoinha e a região central da capital.
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