EDITAL EQUIDADE RACIAL

ACESSAR

Excluir religiões africanas de festa olímpica é manifestação mundial de racismo

Autor: Redação Brasileiros Data da postagem: 15:00 01/08/2016 Visualizacões: 12498
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
Uma das principais religiões brasileiras, o Candomblé foi excluído da Olimpíada pelo COI – Foto: EBC

Para Cida Abreu, ativista do movimento negro, exclusão das religiões de matriz africana do centro ecumênico da Vila Olímpica reforça a intolerância religiosa

Contrariando a recomendação do Ministério Público Federal, o Comitê Olímpico Internacional manteve a decisão de não representar as religiões de matriz africana do centro ecumênico da Vila Olímpica. O argumento é de que serão contempladas as cinco religiões mais praticadas entre os atletas: cristianismo, islamismo, budismo, judaísmo e hinduísmo.

Para Cida Abreu, ex-presidente da Fundação Palmares, ativista do movimento negro e membro do diretório nacional do PT, a decisão do COI é uma “manifestação mundial de racismo”: “É optar por não aproveitar esse momento para valorizar a cultura de matriz africana como uma deferência a todos os crimes de racismo que acontecem no mundo”.

Foto: Reprodução/Facebook

Cida Abreu, ativista do movimento negro e ex-presidente da Fundação Palmares – Foto: Reprodução/Facebook

Abreu diz também que o gesto do COI mostra uma “total incompreensão” da diversidade cultural brasileira. Para a ativista, o País não conseguiu mostrar sua identidade quando foi sede da Copa do Mundo, em 2014, e comete o mesmo erro agora com os Jogos Olímpicos. “Mais uma vez, o Brasil não consegue se apresentar. O Brasil é continental, multicultural, pluriétnico, e recebemos todo mundo de braços abertos. Agora, quem foram os primeiros moradores desse país? Não foram os organizadores do COI. A intolerância se fortalece a partir dessas atitudes.”

Ao longo do ano em que esteve na presidência da Fundação Palmares, autarquia ligada ao Ministério da Cultura, Abreu, que é umbandista, teve notícia de oito ataques a terreiros somente no Distrito Federal: “Isso já é motivo para ter a religião na abertura dos jogos”, diz ela. “O País vive uma crise política, de identidade, de representação, de pertencimento, até geracional no que diz respeito a se apropriar dos bens e valores culturais brasileiros. A nossa crise não é somente política, é cultural – a cultura no seu mais amplo conceito na sociedade. Desde os cuidados ambientais até a compreensão do que é a representação e a manifestação cultural no Brasil, de não se preocupar em apresentar um país diverso, generoso, um país inclusivo. Em um momento em que estamos combatendo a intolerância religiosa, a religião mais vitimizada com a intolerância e o crime de racismo é a de matriz africana.”

Abreu diz também que a matriz africana no Brasil tem de ser compreendida não apenas como uma manifestação religiosa, mas cultural: “É um patrimônio cultural ancestral afrobrasileiro, que imprime a presença africana no Brasil”.

Leia também:

Série de fotos mostra a magia e a beleza da religião de matriz africana

O racismo é impedimento à santificação de negros no Brasil

Padre e mãe de santo unem esforços para defender um antigo Ilê do estado

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: