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O que dizem as vozes que gritam em defesa da Liberdade Religiosa

Autor: Marcela de Paula Data da postagem: 17:00 02/10/2017 Visualizacões: 390
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O que dizem as vozes que gritam em defesa da Liberdade Religiosa / Foto: Marcela de Paula - Vai da Pé

Caminhada pela liberdade religiosa ocorreu no último dia 20 em resposta à recentes casos de violência contra religiões de matriz africana no Rio

Após a divulgação de um vídeo em que uma mãe de santo é obrigada por homens armados a quebrar símbolos da religião de matriz africana no Rio de Janeiro, praticantes e não praticantes destas religiões se reuniram na Praça da República em São Paulo no último dia 20, em protesto contra atos de violência e intolerância religiosa.

Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu centenas de pessoas no centro da cidade em uma afirmação da liberdade de culto e uma demonstração das tradições e crenças de Umbanda e Candomblé.

Foto: Marcela de Paula

Foto: Marcela de Paula

Foto: Marcela de Paula

Foto: Marcela de Paula

O Estado do Rio de Janeiro lidera o ranking de denúncias contra intolerância entre os anos de 2011 e 2015. Foram 697 ao todo, sendo os maiores alvos as religiões de matriz africana, segundo pesquisa do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (CEPLIR).

Secretário estadual de Direitos Humanos do Rio, Átila Nunes, afirma que esse número é inferior à realidade: “Existe uma subnotificação muito forte dos casos de intolerância religiosa e, para fazer o registro policial, há ainda muito medo”, disse ele.

Apesar dos crescentes casos de ataques à símbolos e terreiros contra as religiões de matriz africana, o STF autorizou, na última quarta (27), o ensino religioso confessional em escolas públicas brasileiras. Na prática, a determinação abre espaço para a doutrinação religiosa e o silenciamento de outras crenças em sala de aula, em oposição à recomendação vigente atualmente, com ensino facultativo e sem predomínio de nenhuma religião específica.

Foto: Marcela de Paula

Foto: Marcela de Paula

Em solidariedade à todas as pessoas que já sofreram algum preconceito ou violência por sua religião, o intuito da reunião no centro de São Paulo tinha como pilar essencial: protestar, se fortalecer em corrente e amor pelo culto e recebido dele.

O que sentem essas pessoas que pedem por respeito?

Conheça algumas das vozes da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa:

“Se nossa raiz é vinda da África e nós já passamos por isso há muitos anos atrás, porque não lutar agora, nesse momento, por dias melhores? Eu acredito no amanhã. Estamos aqui formando uma corrente de axé, força e amor.

Cristiane de Obaluaê

“As pessoas tem que começar a respeitar a umbanda e o candomblé como as outras religiões. Cada um acredita num Deus, porque ninguém sabe quem é o verdadeiro Deus.”

MC Soffia

“Eu peço a Deus para expandir a mente dessas pessoas que não aceitam a gente, eu não entendo todo esse ódio. Eu tô aqui hoje para reforçar essa corrente. É uma corrente de amor e a gente quer mostrar isso para as pessoas.”

Elvira

“Já fomos tirados das nossas terras, já foi retirado tudo o que é nosso, desde as nossas riquezas, até a nossa dignidade. A nossa religião é uma das poucas coisas que nos resta e é o que nos deixa mais fortes até mesmo para recuperar as coisas que nós perdemos.”

Jaqueline

“Eu queria entender porque aquilo era tão demonizado, o que acontecia de tão espetacular naquele ritual para que as pessoas ou amassem tanto ou odiassem tanto. Aí quando eu entrei não deu mais pra sair.”

Souto MC

“Hoje eu não sou praticante de nenhuma religião, mas minha infância foi em terreiro, então pra mim é fundamental estar aqui. Acredito que muitas coisas precisam ser feitas, mas o [efeito] mínimo da mobilização é mostrar a nossa indignação e que a gente não vai ficar quieta em casa.”

Gabi Nyarai

“A  religião é tudo. A gente acorda com o espírito, com o orixá. A gente vive o orixá e a religião, pra mim é o respeito, é humildade e não ter diferenças.”

Marcelo

“Antes do terreiro eu não me conhecia no mundo, depois entendi os meus caminhos, comecei a seguir, cuidar dos meus guias, dos meus orixás, isso tem importância total na minha vida. Muita coisa foi arrancada de nós, e quando a gente vai pro terreiro, é como se estivesse religando, a gente volta mares e mares de distância, é maravilhoso.”

Fábio

“É uma coisa de berço, cultuo e amo a minha religião. O candomblé pra mim é chão, é pé, é estrada, é caminho, é tudo na minha vida, é doação, é amor, é amor ao orixá.”

Soraia de Obá

“O candomblé não vive sem erva, não vive sem a mata, sem a natureza. Isso é vida, é tudo o que tem de bom na terra que a gente pode contemplar, que é a natureza.”

Fernando

“A gente tá lutando pela nossa identidade, pelo direito de cultuar o nosso sagrado,é maravilhosa essa união, essa força. A religião nesse sentido de comunhão, de dividir, de família mesmo sabe? É maravilhoso. Eu to achando tudo isso aqui maravilhoso.”

Carla

“Nossas religiões já foram demonizadas, já foram perseguidas e nós não vamos aceitar isso e temos que dizer que não é só intolerância, é racismo, a gente não vai retroceder.”

Tati Nefertari

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