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NEGRO DRAMA

Autor: Carol Ito Data da postagem: 16:31 18/09/2018 Visualizacões: 877
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NEGRO DRAMA / Foto: Matheus Thierry - Zebraa - Divulgação - Reprodução - Revista Trip

Ser homem negro no Brasil é conviver com uma série de estereótipos, que envolvem gênero, raça e classe social. Discutir isso é reiterar a noção básica de que ninguém é uma coisa só

Colocar uma lupa sobre a maneira como homens negros experimentam sua masculinidade não é uma tarefa simples. O tema ainda é tabu. “É um debate que tem se encaminhado aos poucos, as mulheres estão anos-luz da gente”, diz Caio César, estudante de geografia. A hipersexualização do corpo negro, a idealização do “negão” bom de cama, selvagem e viril é um dos estereótipos que acompanham o ideal da masculinidade do homem negro. “Não somos o padrão de beleza, nem o padrão de racionalidade e muito menos o padrão de homem de família. Então, se enquadrar nesse estereótipo muitas vezes é o que nos resta”, conclui Caio, sobre como a idealização também age como um mecanismo para driblar a baixa autoestima, o que dificulta a ampliação da discussão aberta sobre o tema.

Para Túlio Custódio, sociólgo e membro do coletivo Sistema Negro, pensar em masculinidade negra em um país como o Brasil é pensar em gênero, raça e classe em conjunto, pois todas as relações de poder influenciam na construção da identidade. Ele considera que “o bom homem negro é o que performa a ética branca”, como se a masculinidade do homem branco fosse o parâmetro do que é correto, o que implica em resgatar os estereótipos de homem trabalhador, provedor, que tem poder de consumo. “Como agem a maioria dos jogadores de futebol negros, por exemplo? Eles ostentam o poder de consumo, escolhem parceiras brancas, atitudes que aumentam o status”, exemplifica.

O filósofo e psiquiatra martinicano e francês, Frantz Fanon, já refletia sobre a expectativa de que o homem negro se encaixe em uma ética que não é dele em “Pele negra, máscaras brancas”, livro publicado na década de 50. Outro estudioso que abordou a questão foi o sociólogo jamaicano Stuart Hall, em seu livro “Cultura e representação”, em que analisa a presença do negro no cinema e na publicidade ocidental. Uma de suas reflexões é de que os estereótipos se formam enfatizando as diferenças: se o homem branco é civilizado e trabalhador, o homem negro é primitivo e preguiçoso. Apesar das imposições, há uma “luta histórica em torno da imagem” que precisa ser considerada.

O ator e diretor Jé Oliveira, o sociólogo Túlio Custódio e o estudante Caio César / Foto: Divulgação - Stephanie Ribeiro - Arquivo pessoal

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