Negros buscam mais espaço nos negócios

Autor: Camilla Pontes e Patricia Valle Data da postagem: 12:00 14/05/2019 Visualizacões: 124
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
Negros buscam mais espaço nos negócios/Imagem: Reprodução - Extra

Há 131 anos, no dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea e decretou a liberdade dos negros, que por mais de 400 anos foram escravizados no Brasil. A especialista em História da Escravidão, Ynae Lopes dos Santos, conta que a lei não foi acompanhada por políticas reparadoras.

— O Estado que se formou com a República a partir de 1889 desejava transformar o Brasil num país ‘civilizado’, o que significava um país com a população majoritariamente branca, e também não criava nenhum tipo de oportunidade para a inserção social, econômica e política do negro, chegando a adotar inúmeras medidas higienistas — explicou a historiadora, que afirma que a falta de políticas de reparação da desigualdade social daquela época reflete até os dias de hoje na sociedade.


 Taxa de desemprego é maior na população negra/Imagem: Reprodução - Extra

Nos últimos anos, esse cenário de desigualdade foi visto como uma oportunidade de negócio por algumas pessoas e empresas. O EXTRA entrevistou instituições lideradas por pessoas negras que fazem consultoria para empresas que buscam melhorar a diversidade étnica nos seus quadros de funcionários. Essas instituições também fazem a mediação entre pessoas negras que buscam oportunidades no mercado de trabalho e recrutadores.

Empresas lideradas por negros se destacam em consultoria e capacitação

— Há 19 anos trabalho com a área de recursos humanos, fiquei pensando o que poderia fazer para trazer mais negros. O que era inicialmente um projeto social se tornou uma empresa. Trabalhamos com recrutamento, seleção, treinamento sob a temática racial, programas de conscientização para que gestores possam entendam a importância da questão racial na sua empresa — contou Patrícia Santos, CEO e fundadora da Empregueafro.

— O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) desenvolve estudos e mapeia o que as principais empresas estão fazendo em prol da igualdade racial. Das 150 melhores empresas para se trabalhar, 60% tem alguém para falar do tema. Quando as empresas enxergam a igualdade racial como algo competitivo, se diferenciam das outras, lucram mais e ficam mais competitivas — explicou Luana Genot, CEO do ID_BR.

“Criamos um fluxo de conteúdos com foco em habilidades do futuro, produzido por profissionais e líderes. Compartilhamos vagas de emprego, freelancers, cursos, campanhas, possibilidades de palestrar em eventos e convocamos profissionais para desenvolverem soluções para empresas e governos. Para as empresas, desenvolvemos soluções sob demanda”, explica Monique Evelle, da Evelle Consultoria.

— As empresas utilizam nossas pesquisas de mercado, em que determinamos o perfil dos consumidores afrobrasileiros. A plataforma dá visibilidade para a população, por termos uma gestão afro, princípios africanistas de desenvolvimento de negócios. Nossas chamadas são direcionadas para pessoas negras, mas convocamos pessoas de todas as cores — Luanna Teofilo, Fundadora do Painel BAP.

Afroempreendedorismo

As pesquisas sobre o mercado de trabalho mostram que muitos negros estão se tornando empreendedores, no entanto, são os que menos empregam, muitos são os únicos trabalhadores de seus negócios e ainda ganham os menores valores em dinheiro. — O preconceito estrutural também afeta o mercado empreendedor, os negros têm menos apoio financeiro e para capacitação. A receita do empreendedor negro é cerca de 50% menor que a do branco. Além de estar mais exposto, porque a maioria oferece seus serviços na casa dos clientes e não em um ponto fixo, porque não conseguem isso — afirma Suzana Mattos, analista do Sebrae Rio.


 Negros empreendedores ainda ganham menos/Imagem: Reprodução - Extra

Para alavancar os ganhos dos negros e diminuir a desigualdade econômica que as estatísticas mostram, o conceito do black money (dinheiro negro), vem sendo difundido entre os empreendedores negros, o EXTRA falou com alguns deles:

O Sebrae moda Afro reuniu diversos empreendedores em curso de capacitação, e dali surgiu o Afrocriadores, um grupo de empreendedores que vendem junto suas criações. —Criamos uma rede de empreendedores e queremos mostrar que podemos criar e está em todos os lugares. O céu é o limite — afirma Lígia Parreira, do Afrocriadores.

— A Feira Preta deixou de ser só um evento e passou a ser uma plataforma, a pretahub, porque percebemos que era preciso formar o público e os empreendedores. Hoje temos o festival Feira Preta, o afrolab, um programa para empreendedores, tem o afrohub, ligado à tecnologia e com parceira do Facebook para democratizar os códigos da internet e ainda temos outros projetos — pontou Adriana Barbosa, criadora da Feira Preta.

— Temos a missão de criar um ecossistema de afroempreendedorismo, com várias frentes de trabalho. O grupo é um hub de conteúdo, trabalhando na produção e disseminação do conhecimento. O nosso aplicativo consultor auxilia na gestão de negócios. E a fintech fornece crédito, empréstimos e ajuda o afroempreendedor a separar as finanças pessoais das profissionais — disse Diego Reis, CEO da start up Afroempreeendedor.

— Em 2017, os negros consumiram R$ 1.7 trilhão e esse dinheiro não chega diretamente na população empreendedora negra. E pesquisas apontam que temos créditos três vezes mais negados pelos financiadores, por isso, o objetivo do Movimento Black Money é que o dinheiro circule por mais tempo dentro da comunidade negra, através do consumo intencional — explicou a especialista em TI e fundadora do Movimento Black Money, Nina Silva.

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: