Sonho de igualdade fez empreendedora abrir loja de bonecos negros

Autor: Giorgia Cavicchioli Data da postagem: 12:00 01/08/2019 Visualizacões: 217
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Jaciana Melquiades com suas bonecas / Foto: Divulgação - Reprodução - Yahoo Notícias

Com a intenção de fazer elementos decorativos para o quarto de seu filho, a empreendedora Jaciana Melquiades começou a fazer bonecos negros. A intenção dela era trazer mais objetos que pudessem trabalhar reconhecimento e representatividade nos brinquedos.

Em paralelo a isso, ela e seu companheiro faziam atividades voluntárias em um colégio. Lá, eles passaram a levar os brinquedos, o que chamou a atenção dos educadores. Como os brinquedos eram muito interessantes, os professores começaram a pedir encomendas.

Foi aí que, em 2013, nasceu a loja virtual da Era uma vez o mundo. De lá pra cá, o casal vende bonecos negros para trazer maior diversidade e representatividade nas casas das crianças brasileiras.

Este ano, eles foram ainda mais longe e abriram sua primeira loja física, que fica no Rio de Janeiro. Ao blog, Jaciana explicou a importância de seu comércio. “A diversidade é importante e precisa estar em todos os lares. Não só de crianças negras”, afirmou.

Segundo ela, é preciso que crianças brancas também brinquem com bonecos negros para que seja desenvolvida a empatia. “A medida que a criança brinca com uma boneca negra, ela aprende a humanizar a pessoa negra. É o espelho de uma criança negra”, disse.

Isso, de acordo com Jaciana, faz com que ela e sua marca recebam um retorno dos clientes que é gratificante. Segundo ela, existe muito afeto entre ela e as pessoas que compram na loja. “A marca cura algumas feridas que são minhas e que compartilho com meus clientes”, constatou.

Mesmo dizendo que o número de bonecos negros que o mercado oferece ainda está muito abaixo do ideal, ela afirma que esse comércio já melhorou muito com o passar dos anos.

“O número de bonecas negras vem crescendo e muito por conta de empreendedoras como eu, que vão acreditando no sonho de igualdade e fazem esses brinquedos”, disse.

Segundo ela, os grandes empresários não investem nesse tipo de produto por não verem a população negra como consumidora. Porém, ela diz que 54% da população representa uma grande movimentação de dinheiro.

“Enquanto os empresários olharem pra gente como um pequeno recorte, eles não vão ter interesse em investir, de verdade, em produtos voltados para a população negra”, finalizou.

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