Negros buscam romper desigualdade em negócios que valorizam sua cultura

Autor: Redação Folha de S. Paulo Data da postagem: 13:00 13/08/2019 Visualizacões: 132
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Afro Hub 2018 / Foto: Reprodução - Folha de S. Paulo

Iniciativas levam formação, apoio no desenvolvimento de ideias e contatos para aumentar chances de sucesso de empreendedores

A desigualdade de oportunidades e ganhos entre empreendedores negros e brancos começa a ser enfrentada por uma série de organizações que buscam levar formação, aprimorar ideias e formar parcerias para empresários do primeiro grupo.

Segundo a pesquisa internacional Monitor Global do Empreendedorismo, conduzida no Brasil pela Fundação Nacional da Qualidade e pelo Sebrae, 16,8% dos empreendedores negros têm renda até um salário mínimo, situação de 6,4% dos brancos.

A associação AfroBusiness conta com uma rede de 8.000 empresários que usam uma plataforma digital para localizar outros empreendedores negros para fazer negócios.

Antônio Pita (esq.) e Carlos Humberto, fundadores da startup de impacto Diáspora.black / Foto: Gabriel Cabral - Folhapress

Fernanda Leôncio, fundadora e presidente da associação, diz que a iniciativa permite que o dinheiro que circule entre a comunidade negra e seja usado para fomentar os negócios por ela criados.

A associação também oferece cursos em áreas como contabilidade, direito e vendas.

O Monitor do Empreendedorismo indica que apenas 6,6% dos negros possuem ensino superior, enquanto entre brancos a fatia é 12,8%.

Diminuir a diferença na formação também é o objetivo da Pretahub, empresa de Adriana Barbosa que possui programas para capacitar negros no uso de tecnologia, ajuda a moldar modelos de negócios e promove feiras para vendas de produtos e serviços.

Segundo Barbosa, o objetivo é democratizar o conhecimento e a possibilidade de um empreendedorismo que busca mais que a subsistência (o chamado por necessidade).

"Os empreendedores negros ganham menos, têm menos acesso a ferramentas de gestão, são os que menos têm acesso a capital, estão menos no ecossistema de startups e tecnologia", diz.

Uma rara startup criada por negros que começa a abrir espaço nesse ambiente de inovação é a Diaspora.black.

A empresa adaptou o modelo de negócios usado pelo Airbnb, de aluguel de casas por temporada pela internet, para destacar anfitriões negros e com ligação com a cultura de origem africana, que possam oferecer atividades ligados a ela ao turista.

Antônio Pita, 32, um dos sócios da companhia, que foi apoiada pela aceleradora de negócios sociais Artemisia em programa junto ao Facebook, diz que a ideia do negócio surgiu após experiências de racismo vividas pelos idealizadores da empresa como anfitriões e viajantes.

Segundo Pita, empreendedores negros têm a seu favor a possibilidade de perceber necessidades e problemas do mercado enfrentados por eles. "O consumidor negro tem o direito de ser bem servido como qualquer pessoa."

Pita destaca que o uso da plataforma é para quem se interessar, não importa a raça.

A startup conta com cerca de mil anfitriões em 150 cidades brasileiras e 35 países.

Ela é a primeira a abrir captação de recursos via plataforma de financiamento coletivo criada pela gestora Vox, que investe em negócios de tecnologia com impacto social.

A oferta para aplicar dinheiro na startup, disponível para qualquer investidor interessado, tem como objetivo levantar R$ 600 mil. Em uma semana, atingiu 70% do valor.

Outra companhia que busca usar a tecnologia para difundir a cultura afrobrasileira é o Clube da Preta, criado há dois anos por Bruno Brigida, 30, e Débora Luz, 29.

A startup vende assinaturas para quem quer receber caixas com itens variados, incluindo roupas, acessórios, cosméticos e livros produzidos por empreendedores negros.

Brigida diz acreditar que o potencial de seu negócio está baseado na tendência do afroconsumo: "Queremos que não só pessoas pretas consumam das pessoas pretas mas que as brancas, entendendo a luta, também consumam".

A companhia conta com 180 fornecedores e 450 assinantes.

Apesar dos avanços, Jessica Silva Rios, sócia da Vox, diz que ainda são raros os negócios liderados por negros com uso intensivo de tecnologia e com alto potencial de crescimento.

"Para uma startup acontecer, depende de contatos, investimento inicial, ambiente de testes, coisas que não estão disponíveis para a maioria desses empreendedores", diz.

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