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‘JOVENS PRECISAM DE POLÍTICAS PÚBLICAS’

Autor: Bianca Gomes e Renato Vasconcelos Data da postagem: 10:00 01/01/2020 Visualizacões: 60
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‘JOVENS PRECISAM DE POLÍTICAS PÚBLICAS’/Imagem: Reprodução - Estadão

Criadora do ‘LinkedIn’ de Paraisópolis, Rejane Santos pede mais investimentos

A pedagoga Rejane Santos, de 34 anos, nasceu na Bahia, mas se criou em Paraisópolis e entende bem as mazelas da favela na zona sul de São Paulo. Ela é a idealizadora de um negócio de impacto social que ganhou o apelido de LinkedIn da Comunidade, por ter conseguido ocupação para mais de 700 pessoas em dois anos. São 5 mil currículos de moradores cadastrados, que Rejane conecta com empresas interessadas em contratar.

“O projeto nasceu para suprir essa necessidade e garantir que os moradores das favelas não fiquem em uma situação de extrema vulnerabilidade social, dada a falta de emprego no País”, explica a pedagoga, que é líder do Comitê Bairros e Comunidades do Grupo Mulheres do Brasil. O Emprega Comunidades também oferece cursos de capacitação presenciais e a distância para suprir a falta de qualificação de muitos moradores.

A tragédia em Paraisópolis, com nove jovens mortos, tem forte impacto na favela, diz Rejane. Pela dor que causa e pelo que deixa à mostra: a falta de políticas públicas e alternativas para jovens que moram em comunidades. “Eles vieram buscar lazer e, infelizmente, não voltaram para suas casas.”

Qual o impacto da tragédia do fim de semana para Paraisópolis?

A gente vem desenvolvendo um trabalho de mostrar o quanto Paraisópolis cresceu e se desenvolveu. Isso com a força das lideranças locais, com a participação do povo mesmo. A gente tem procurado mostrar o Paraisópolis das artes, o lado bom que tem aqui. Quando aparece de forma positiva, acaba atraindo investimento para a sociedade. Quando passamos por questões tristes e negativas assim, toda a comunidade é prejudicada. Até os investidores se afastam.

Haverá impacto no surgimento de projetos como o Emprega Comunidades?

Sim, acaba impactando. É investindo na comunidade e fortalecendo os negócios e os projetos que vamos superar essa situação. O que os jovens precisam em Paraisópolis é de políticas públicas. De lazer, em especial. Tanto os jovens de Paraisópolis quanto os de outros lugares não têm essas alternativas. Os que morreram aqui eram de outras comunidades, vieram de longe para buscar lazer, se relacionar com outras pessoas. Infelizmente, não voltaram para suas casas.

Quantas pessoas já passaram pelo Emprega e quantas foram realocadas no mercado de trabalho?

Temos mais de 5 mil pessoas cadastradas e já conseguimos emprego para mais de 700 pessoas.

Há contratações também fora da comunidade? Como funciona a relação da entidade com as empresas?

O Emprega Comunidades é um negócio de impacto social que funciona como o LinkedIn da favela. Criamos uma rede de relacionamento com as empresas da região e os candidatos moradores da comunidade. O projeto nasceu para suprir a necessidade de conectar empresas e candidatos da comunidade e também para garantir que os moradores das favelas não fiquem em uma situação de extrema vulnerabilidade social, dada a falta de emprego no País. É uma oportunidade de garantir que tenha, de fato, um público com diversidade dentro das empresas. É importante que as empresas entendam que não basta colocar uma pessoa de comunidade na organização. É preciso entender qual o potencial dela, apoiar e, de fato, dar oportunidade.

Quais serviços o Emprega oferece?

Atuamos em algumas frentes. Nós somos a primeira facilities de favelas, que oferece terceirização de mão de obra, ou seja, podemos contratar profissionais para empresas que não querem ter vínculo empregatício. Somos também uma agência de emprego. O candidato da comunidade vem na agência e cadastramos o currículo dele. Sempre que uma empresa procura um profissional, fazemos a indicação de acordo com o perfil pedido. Além disso, oferecemos cursos de qualificação e empreendedorismo presenciais e a distância, em parceria com o canal Transformadores. Por último, oferecemos contratações de mão de obra pontual.

Qual público procura o projeto?

Mulheres são maioria no Emprega. Isso porque, em Paraisópolis, elas costumam ser chefes de famílias e sentem as dificuldades mais de perto. Muitas são jovens, mães e solteiras, que fazem jornada tripla de trabalho. A gente precisa apoiar essas mulheres, porque o emprego dá mais autonomia, melhora a autoestima delas e evita que famílias inteiras entrem em situação de extrema vulnerabilidade social. Quando a mulher não está empregada, fica mais exposta a problemas de autoestima e até a situações de violência doméstica. 

 

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