Banco Mundial aponta para um Brasil mais pobre

Autor: Redação Clima Info Data da postagem: 14:45 15/02/2017 Visualizacões: 1351
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O aumento do número de "novos pobres" no Brasil vai se dar principalmente em áreas urbanas / Foto: Agência Brasil - Carta Capital

Um relatório do Banco Mundial foi destacado em matéria da Carta Capital. Por conta da crise econômica, o Banco estima que o número de pessoas vivendo na pobreza deve aumentar entre 2,5 a 3,6 milhões até o final do ano. Os mais atingidos serão os jovens adultos em áreas urbanas, no Sudeste, qualificados que trabalhavam no setor de serviços. O Banco recomendou aumentar o orçamento do Bolsa Família para evitar que isto aconteça.

Ser mais pobre significa ter menos espaço para se adaptar às mudanças do clima. Se morar perto de terrenos alagadiços, será inundado nas grandes chuvas. Se morar em encostas, corre o risco de deslizar junto com o morro. Mudar para outro lugar implica horas a mais num transporte público deficiente. E por aí vai. E morar longe significa mais emissões de gases de efeito estufa no transporte, mais emissões do lixo e esgoto não tratados adequadamente e, possivelmente, mais dificuldade em ter um abastecimento regular de água potável. Para não falar do abismo cada vez mais profundo de saúde e educação que perpetuam a situação, mas que não são parte do foco deste informativo.

Matéria abaixo:

Brasil pode ter 3,6 milhões de 'novos pobres' até o fim do ano

Banco Mundial afirma que crise econômica ameaça redução da pobreza e recomenda aumento do orçamento do Bolsa Família

O número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017, afirmou um estudo inédito do Banco Mundial divulgado na segunda-feira 13. De acordo com o documento, a atual crise econômica representa uma séria ameaça aos avanços na redução da pobreza e da desigualdade, e a rede de proteção social, que inclui o Bolsa Família, tem um papel fundamental para evitar que mais brasileiros entrem na linha da miséria.

O aumento do número de "novos pobres", diz a instituição, vai se dar principalmente em áreas urbanas, e menos em áreas rurais, onde essas taxas já são mais elevadas. O texto diz ainda que as pessoas que cairão abaixo da linha de pobreza, como consequência da crise, são provavelmente adultos jovens, de áreas urbanas, principalmente do Sudeste, brancos, qualificados e que trabalhavam anteriormente no setor de serviços.

Para evitar o aumento da pobreza extrema, o governo federal teria de aumentar, neste ano, o orçamento do Bolsa Família para 30,4 bilhões de reais, afirma o Banco Mundial. A própria instituição afirma, porém, que o ambiente desafiador de consolidação fiscal no País dificulta o acréscimo à rede de proteção social. O orçamento previsto para o programa de transferência de renda é de 29,8 bilhões de reais em 2017.

A ampliação do programa foi excepcionalmente rápida, com o número de beneficiários passando de 3,6 milhões de famílias, em 2003, para 11,1 milhões, em 2006. Em 2014, o programa beneficiava cerca de 56 milhões de pessoas ou 14 milhões de domicílios, ou seja, um quarto da população do País. O gasto como percentual do Produto Interno Bruto (PIB) cresceu de menos de 0,05% em 2003 para cerca de 0,5% em 2013.

Em análise de dois cenários, um menos e o outro mais pessimista o Banco Mundial diz que o primeiro prevê um aumento em 2017 de 8,7% para 9,8% na proporção de pessoas pobres (considerando uma linha de pobreza de 140 reais), representando um acréscimo de 2,5 milhões de pessoas. No cenário mais pessimista, há um crescimento de 10,3% na proporção de pessoas pobres neste ano, o que representa um acréscimo de 3,6 milhões de pessoas à população que vive na pobreza.

Por meio de simulações, o Banco Mundial analisou a taxa de pobreza extrema no País, calculada em 3,4% em 2015, levando em conta o incremento ou não no Bolsa Família. No cenário menos pessimista, o número de pessoas extremamente pobres crescerá 1,7 milhão – de 6,8 milhões em 2015 para 8,5 milhões em 2017, elevando a proporção de pessoas extremamente pobres de 3,4% em 2015 para 4,2% neste ano. O número de pessoas moderadamente pobres aumentará em 2,5 milhões, de 17,3 milhões em 2015 para 19,8 milhões em 2017.

No segundo cenário – mais pessimista –, a taxa de pobreza extrema continua crescendo, alcançando 4,6% em 2017, representando um crescimento de 2,6 milhões no número de pessoas extremamente pobres entre 2015 e 2017, passando de 6,8 milhões em 2015 para 9,4 milhões em 2017. O número de pessoas moderadamente pobres aumentará em 3,6 milhões entre 2015 e 2017.

Se o governo federal aumentar o orçamento real do Bolsa Família para cobrir os "novos pobres", conforme recomendado pelo Banco Mundial, a taxa de pobreza extrema seria mantida no mesmo patamar de 2015, sendo que, no cenário menos pessimista, a taxa de pobreza extrema aumenta de 3,4% para 3,5% em 2016 e 2017, ao passo que, no panorama mais pessimista, a pobreza extrema cresce para 3,6% em 2017.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDS), mais de 13,6 milhões de famílias receberão o benefício em fevereiro, sendo que o valor médio dele é de 179,62 reais. O recurso repassado varia conforme o número de membros da família, a idade de cada um deles e a renda declarada ao Cadastro Único para Programas Sociais do governo.

O programa é direcionado para famílias extremamente pobres – com renda per capita mensal de até 85 reais; e pobres – com renda per capita mensal entre 85,01 reais e 170 reais. O recebimento mensal do benefício pelas famílias está condicionado à frequência escolar e ao uso de serviços de saúde materno-infantil.

Deutsche Welle

Notícia da Carta Capital

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