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Vilma Reis: nós, negros e negras, não podemos terceirizar a nossa voz

Autor: Redação Brasil 247 Data da postagem: 10:00 21/01/2020 Visualizacões: 60
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Vilma Reis/Foto: Reprodução - Brasil 247

Ativista do movimento negro e pré-candidata à prefeitura de Salvador pelo PT, Vilma Reis conversou com a TV 247 e destacou a importância do engajamento da esquerda com a representatividade social. “Sem a representação negra a esquerda não avança. Construímos dia e noite os partidos de esquerda e não somos escolhidas para decidir no xadrez, no poder”, disse. 

Ativista do movimento negro, referência nacional na luta antirracista e contra o genocídio da juventude negra e pré-candidata à prefeitura de Salvador pelo Partido dos Trabalhadores, Vilma Reis falou à TV 247 sobre algumas de suas ideias para a capital baiana. Ela também opinou sobre a importância de se ter maior representatividade racial no PT e demais legendas de esquerda.

Vilma ressaltou fortemente que sua pré-candidatura alerta para a necessidade de negros e negras exercerem postos de mando, de tomadas de decisão. Ela disse que o PT e outros partidos do campo de esquerda não podem ser contraditórios, ou seja, não podem estar na luta pelo povo negro tendo como representantes apenas pessoas brancas.

“Entendemos a legitimidade de lideranças negras disputarem poder político e estarem nas linhas decisórias do país, no ponto de vista dos municípios, dos estados e da nação. Isso é ainda um tabu no campo da esquerda, há um silenciamento, nós não aceitamos esse silenciamento. Acreditamos que é fundamental que partidos que lutem pela transformação política, partidos que estão verdadeiramente enraizados no sonho de libertação do nosso povo não tenham essa contradição com toda sua linha de representação com pessoas brancas”, defendeu.

Ela afirmou que a presença dos negros é essencial para o avanço da esquerda, já que “a crise de representação que está colocada é exatamente pela nossa ausência”. “O que a gente está fazendo em Salvador é pedagógico, sim, para o Brasil inteiro. Do jeito que a gente está caminhando, indo para as prévias no nosso partido, pela primeira vez na história, isso é importante para cada pessoa negra que constrói os partidos de esquerda. Sem a representação negra a esquerda não avança. A crise de representação que está colocada é exatamente pela nossa ausência. Construímos dia e noite os partidos de esquerda e não somos escolhidas para decidir no xadrez, no poder”.

Questionada sobre a intenção de certa ala do PT em não lançar candidatura própria para a prefeitura soteropolitana, Vilma Reis rebateu lembrando que a decisão de ter candidatos próprios do PT foi tomada em congresso e no diretório do partido. Desta forma, ela acredita que a cabeça de chapa na cidade deve pertencer ao Partido dos Trabalhadores.

“Nós tomamos uma decisão no nosso congresso recentemente e nós tomamos uma decisão também no nosso diretório. A decisão do diretório e do congresso é de candidatura própria, essa é uma primeira questão. Um pré-candidatura negra nunca chegou a este ponto, nós temos, enquanto grupo, a decisão de que nós não vamos retirar a candidatura. A gente está indo para o foro legítimo do nosso partido, que é exatamente a possibilidade de nós termos prévias no partido. Nós somos o partido dos trabalhadores e das trabalhadoras, é importante a gente ter todo o cuidado com as questões, nós defendemos que tenham alianças no campo da esquerda, mas defendemos que a cabeça de chapa dessas eleições seja do Partido dos Trabalhadores. Nós somos a esquerda sem medo de ser esquerda, e nós não podemos terceirizar a nossa voz, essa é uma eleição em que nós vamos impor uma derrota àqueles que ainda se acham donos da Bahia”, ressaltou.   

Vilma falou também do racismo em Salvador, cidade em que a grande maioria da população é negra. Ela afirmou que há racismo na capital da Bahia, principalmente institucional, o que faz com que a sociedade não se sinta representada nas instituições.

Assista à entrevista na íntegra:

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