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Governo rompe compromisso e Movimento Negro aponta negligência

Autor: ELAINE DAL GOBBO Data da postagem: 14:00 15/06/2020 Visualizacões: 113
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Governo rompe compromisso e Movimento Negro aponta negligência/Reprodução: ONU

Reunião para debater criação de Grupo de Trabalho sobre a Covid-19, que deveria ter sido realizada até sexta-feira, não ocorreu

Diante do rompimento do compromisso firmado pelo Governo Renato Casagrande com a Unidade Negra Capixaba, entidades apontam que a negligência é a marca da atual gestão. O poder público estadual havia se comprometido a realizar uma reunião com representantes do Movimento Negro até a última sexta-feira (12) para debater a criação de um Grupo de Trabalho (GT) na Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), mas nada foi feito. 

O GT seria criado para discutir ações de combate à Covid-19 entre a população negra.  A proposta foi feita no dia quatro de junho, quando a Unidade realizou um protesto em frente às sedes do governo no Centro de Vitória e apresentou um abaixo-assinado com 2,5 mil adesões e um documento com 105 sugestões de medidas urgentes de combate à pandemia em meio à população negra, mais vulnerável ao coronavírus, como mostram os dados oficiais.

Na ocasião, os representantes das entidades foram recebidos pela vice-governadora Jaqueline Moraes e pela secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo. A Unidade Negra Capixaba ressalta que, mais uma vez, a falta de diálogo por parte do poder público estadual mostra o descaso com a vida da população negra. "Isso reforça que quando a Covid atravessa o asfalto e entra nas nossas comunidades, nossas vidas, nossas dores, são negligenciadas", diz João Victor Santos, do Coletivo Negrada. 

Entre as reivindicações apontadas no documento, elaboradas por mais de 60 entidades e incluindo diversas áreas, como saúde, educação e cultura, estão o decreto imediato de lockdown até o início do achatamento da curva de contágio do vírus; a criação de hospital de campanha e espaços de acolhida para pessoas com Covid-19 que não têm condições de fazer isolamento em casa; subsídios para artistas negros desempregados durante a pandemia e pequenos agricultores e quilombolas; e combate à intolerância religiosa nas unidades de saúde.

Antes da entrega do documento no Palácio da Fonte Grande, a Unidade Negra Capixaba fez um protesto em frente ao Palácio Anchieta, onde foram fincadas mais de 600 cruzes, simbolizando o número de mortes por Covid-19 até então. 

A Unidade Negra Capixaba foi criada a partir das mobilizações junto à Secretaria de Saúde para cobrar transparência nos dados sobre a contaminação da Covid-19 entre a população negra. O grupo é composto por lideranças de religiões de matriz africana, artistas, pesquisadores, professores universitários, profissionais da saúde, advogados, líderes comunitários e líderes estudantis.

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