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Brasil está perto de erradicar pobreza extrema, mas riqueza segue concentrada

Autor: Cristina Fontenele Data da postagem: 15:15 29/04/2015 Visualizacões: 1888
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Nos últimos 20 anos, 25 milhões de brasileiros saíram da pobreza extrema ou moderada. Programas como o Bolsa Família contribuíram para o combate à pobreza.

O recente relatório "Prosperidade compartilhada e erradicação da pobreza na América Latina e Caribe”, publicado pelo Banco Mundial, revela que, nos últimos 20 anos, cerca de 60% dos brasileiros subiram de classe econômica. Segundo o estudo, o Brasil está próximo de erradicar a pobreza extrema. O desempenho positivo seria resultado do crescimento econômico a partir de 2001, das políticas públicas com foco na erradicação da pobreza (como o Bolsa Família e Brasil sem Miséria), do aumento das taxas de emprego e do percentual de empregos formais (60% em 2012), além da evolução do salário mínimo, que fortaleceu o poder de compra dos/as brasileiros/as. 

De acordo com o estudo, de 1990 a 2009, 25 milhões de brasileiros saíram da pobreza extrema ou moderada. Isso representa uma em cada duas pessoas saídas da pobreza na América Latina e no Caribe, nesse período. O percentual de brasileiros/as vivendo na extrema pobreza caiu de 10%, em 2001, para 4%, em 2013.

A melhoria nas condições de vida na América Latina e Caribe modificou, visivelmente, a composição socioeconômica da população. Em 2012, houve uma redução de 24,1% para 12,1% das pessoas em situação de extrema pobreza e um aumento de 21,2% para 34,4% da classe média.

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Apesar dos avanços, o relatório aponta que ainda existem, na América Latina e Caribe, 75 milhões de pessoas em extrema pobreza, sendo a metade delas no Brasil e no México. Na Guatemala, a situação afeta mais de 40% da população e quase 60% no Haiti. No Brasil, 18 milhões de brasileiros ainda vivem na pobreza e um terço da população não conseguiu ingressar na classe média, permanecendo em condição de vulnerabilidade econômica.

A desigualdade no Brasil está acima da registrada na América Latina e Caribe. 1% da classe mais rica recebe 13% da renda total do país. Mais da metade dos 7,3 milhões de brasileiros que ainda vivem na extrema pobreza (renda inferior a R$ 70 por mês) estão na região Nordeste (56,7%), seguida da região Sudeste (22,7%) e da Norte (11%).

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Em entrevista à Adital, o padre Ari Antônio dos Reis, assessor das Comissões das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), comenta que existe um processo de melhoria nas condições sociais, mas ainda há uma estrutura de injustiça e desigualdade social muito forte. Ele destaca que a riqueza continua concentrada. As políticas de governo não "mexeram” na estrutura. Para promover a mudança é preciso "coragem e ousadia”.

Segundo Reis, o aumento do acesso ao crédito nos últimos anos facilitou o inclusão dos mais pobres, porém incentivou o consumismo e endividou as pessoas. "Não é uma melhoria e sim um endividamento”, revela.

Outro grave problema é a dívida pública que, por meio do aumento dos juros, "sempre onera a população mais pobre” e mantém a desigualdade.

Durante a 53ª Assembleia Geral da CNBB, realizada de 15 a 24 de abril, em Aparecida (São Paulo), o tema da desigualdade social foi bastante debatido. De acordo com a instituição, a realidade brasileira está marcada pela profunda e prolongada crise, que ameaça as conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do país. Ao final do evento, foi produzido o documento "A Desigualdade Social no Brasil”, que será publicado em cerca de 20 dias, e vai ajudar a refletir sobre a questão da desigualdade no país.

 

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Segundo Padre Ari, as políticas do governo não modificaram a estrutura de desigualdade social.


 

Entre as recomendações do relatório, está a manutenção das garantias aos direitos do trabalho, previdência e saúde pública. Nesse contexto, a Lei da Terceirização é vista pela CNBB como um retrocesso. Em nota publicada na sexta-feira (24), a entidade afirma que a lei que permite a terceirização do trabalho não pode, "em hipótese alguma”, restringir os direitos dos trabalhadores. "É inadmissível que a preservação dos direitos sociais venha a ser sacrificada para justificar a superação da crise”.


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