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Hipocrisia: Presidente da Sabesp descarta em CPI rodízio de água em SP este ano

Autor: Tatiana Santiago Data da postagem: 17:14 13/05/2015 Visualizacões: 819
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Jerson Kelman descarta rodízio em 2015 durante CPI da Sabesp (Foto: Reprodução/TV Globo)

 O presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Jerson Kelman, descartou a possibilidade de rodízio de água neste ano em São Paulo devido a crise hídrica e disse que a companhia não está contando com a boa vontade de São Pedro.

“Nós não temos nenhuma previsão de implantar rodízio em 2015, porque diferentemente do que acontecia há um ano atrás, hoje nós temos opção de diminuir a retirada de água do Cantareira”, justificou ele.

Segundo Kelman, a Sabesp não está contando com a "ajuda de São Pedro" para evitar o racionamento.

“Nós imaginamos que São Pedro vai nos castigar mais ainda. Portanto, ninguém está contando com a boa vontade de São Pedro, ao contrário. E se São Pedro se comportar de uma forma camarada, é só bônus, só vantagem”, declarou ele, que alegou que tem visão conservadora ao dizer que a vazão de água deste ano será equivalente a 80% a vazão do ano passado.

Mesmo descartando o rodízio, ele mencionou que a “situação é igual nuvem, sempre muda” e que as autoridades devem estar preparadas para todos os cenários. No entanto, não mencionou quais seriam as medidas de contingência que a empresa colocaria em ação.

Questionado qual o gatilho para o início de racionamento, ele não responde aos vereadores. “É multidimensional, digamos assim”, disse o ser indagado sobre probabilidades matemáticas.

“Nós imaginamos que São Pedro vai nos castigar mais ainda. Portanto, ninguém está contando com a boa vontade de São Pedro, ao contrário. E se São Pedro se comportar de uma forma camarada, é só bônus"

Jerson Kelman, presidente da Sabesp

Ele ressaltou que o gatilho não leva em conta apenas a quantidade de água armazenada nos reservatórios, mas também considera a previsão de afluências meteorológicas, com as chuvas, e de vazão. “Se as afluências forem piores que do ano passado nossas hipóteses são extremamente conservadoras, no sentido pessimistas. Nós fazemos uma previsão que nossas afluências serão 80% do ano passado.

Reajuste

Sobre o aumento de tarifa nas contas da Sabesp que foi 15,24%, sendo que houve outro reajuste há menos de 6 meses de 6,5%, Kelman disse que era necessário devido a mudança de cenário econômico e de falta do produto comercializado, a água.

“É bom recordar que não é a Sabesp quem determina o nível do reajuste. São Paulo tem uma agência reguladora que é a Arsesp”, justificou. Segundo ele, os reajustes ocorrem a cada 4 anos baseados na receita da empresa e potencial de investimento, e anualmente com a correção da inflação. No entanto, há casos em que a empresa pode pedir um novo aumento, como ocorreu neste ano. “Pode ocorrer, excepcionalmente, uma correção tarifária extraordinária.”

De acordo com o presidente da Sabesp, a alteração da previsão sobre gastos com a tarifa elétrica em 2012 e a seca alteraram os custos. “Havia uma previsão do cenário da energia elétrica que não se materializou”, disse. “Ninguém previu e nem poderia prever a seca que ocorreu em 2014”, completou.

Além disso, ele ressaltou que o aumento no valor da conta não tem relação com o bônus concedido aos clientes e menor arrecadação de tarifa.

Dividendos

A Sabesp é uma empresa de capital aberto, com ações majoritárias do governo do estado. No ano passado, a empresa causou polêmica ao distribuir o lucro entre seus acionistas em meio à crise hídrica.

Kelman diz que é favorável à distribuição dos dividendos e que o procedimento será repetido neste ano, pois é uma exigência legal. “A distribuição de dividendos não é uma legislação da Bolsa de Nova York, é uma legislação brasileira. Estaríamos cometendo um crime se não seguirmos a lei.”

Para o presidente da Sabesp, a empresa distribui apenas o mínimo exigido por lei. “Ela não tem distribuído investimentos a não ser o mínimo legal, que é 25% do total dos lucros entre os acionistas”, argumentou. “A remuneração será a mesma, o que acrescentará R$ 6 mil mensais aos salários dos diretores”, declarou.

 

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