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A lei e o racismo nos Estados Unidos

Autor: Redação Opinião e Notícia Data da postagem: 17:30 29/09/2016 Visualizacões: 2641
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Livro retrata a rotina de dois policiais negros em Atlanta, em 1948 / Foto: Wikimedia - Opinião e Notícia

Um novo livro explora o tema da segregação racial nos Estados Unidos com um viés ficcional

O livro de Thomas Mullen, Darktown, é ambientado em 1948: um ano quase equidistante entre o fim da escravidão e o momento atual. O lugar é Atlanta, onde as tensões raciais são terríveis, isto é, exceto em comparação com o resto do Sul do país. Lucius Boggs e Tommy Smith são dois policiais negros com uma percepção nítida que, apesar de todas as injustiças que sofrem e testemunham na cidade, o preconceito racial e os conflitos entre os brancos e os negros eram piores no passado. E que, a uma curta distância de carro até a periferia da capital da Georgia, a situação ainda era péssima. Lá, os negros eram assassinados sem escrúpulos ou punição, às vezes pelos próprios policiais.

Boggs e Smith estão entre os primeiros policiais negros recrutados pela polícia de Atlanta. Personagens de ficção dos oito policiais que sintetizam uma visão calculista da conciliação dos direitos civis da elite branca de Atlanta com a população negra. Nesse caso, o prefeito, Bill Hartsfield, um homem esperto e oportunista, mencionado no romance ao lado de diversos personagens históricos, troca os votos de negros por esses oito policiais.

No entanto, eles não têm o direito de dirigir carros da polícia, prender suspeitos brancos, fazer investigações ou entrar na delegacia principal de polícia. Boggs e Smith, assim como seus antecessores históricos, só podem patrulhar os bairros de negros, enquanto alguns colegas brancos procuram oportunidades, reais ou forjadas, para desacreditá-los e descartá-los. Os dois são, ao mesmo tempo, embaixadores do progresso e testemunhas de suas limitações.

Em razão da importância de Atlanta na história do Sul dos EUA e do movimento dos direitos civis, é curioso que não seja cenário de um número maior de bons livros de ficção. Atlanta orgulha-se do romance E o vento levou de Margaret Mitchell e do livro Um homem por inteiro, no qual Tom Wolfe descreve as relações tensas entre empresários brancos e políticos negros que por fim herdam o poder municipal, mas a cidade não figura entre outros livros conhecidos da literatura de ficção.

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