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Comunidade Quilombola da Bananeira, em Altaneira, recebe vacina contra a Covid-19

Autor: Nicolau Neto Data da postagem: 16:00 21/04/2021 Visualizacões: 88
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Comunidade Quilombola da Bananeira, em Altaneira, recebe vacina contra a Covid-19./Reprodução: Blog Negro Nicolau

Moradores da comunidade remanescente de quilombola da Bananeira, território da zona rural do município de Altaneira, no cariri cearense, começaram a receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19.

Segundo a secretaria municipal da saúde, o processo de vacinação teve início no último dia 16 nos moradores com mais de 18 anos. 130 remanescentes receberam a vacina da AstraZeneca. As comunidades quilombolas foram incluídas nos grupos prioritários no Plano Nacional de Imunização contra o coronavirus.

Em Altaneira, esses remanescentes que estão em uma zona territorial que inclui ainda São Romão, Cachimbo e Samambaia, passaram antes de receberem a primeira dose por um processo de cadastramento junto à plataforma Saúde Digital da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), que dentre outras ferramentas, contou com uma autodeclaração de cada morador.

A primeira dose aplicada ocorreu, segundo a Secretaria Municipal, “com tranquilidade e fluidez, em virtude da organização da comunidade”. Os idosos, conforme pontuou Júnior Paulino, secretário municipal de saúde, não entraram nesse público para efeito de contagem, visto que já tinham recebido a vacinação.

O professor Clécio Sousa, um dos moradores da comunidade, destacou que o Quilombo Bananeira foi mapeado em 2018 pela Comissão Estadual dos Quilombolas Rurais do Ceará (CEQUIRCE) e que os primeiros vacinados foram os da Bananeira. Na segunda-feira, 19, receberão a primeira dose os demais remanescentes localizados nas outras comunidades que integram o quilombo.

Dione Gonçalves, moradora do Quilombo, fez uma recomendação para quem ainda não foi vacinado. “Eu recomendo. Vocês que ainda não tomaram a vacina, cuidem. É essencial para a nossa saúde e mesmo tomando a vacina, se previna com máscara e alcoo em gel”, disse.

Tem muito caso na nossa regiãoGente, não é brincadeira. Tomem a vacina e se previnam”, destacou.

Quem também recebeu a primeira dose pela comunidade foi a vereadora Rafaela Gonçalves. Ao lado de sua mãe e ex-vereadora, Alice Gonçalves, ela afirmou que estava muito feliz “por esse momento em que a ciência ultrapassa as dificuldades materiais.” Segundo dados da CEQUIRCE, o Quilombo possui 1.250 moradores.

Para entender o Quilombo da Bananeira

É importante destacar que em todos os censos já realizados no município, seja pelo IBGE ou por outro órgão, nunca se constatou a existência de uma comunidade quilombola. Conforme artigo publicado neste Blog no último dia 3, dados do próprio Governo do Ceará, ao citar as 70 comunidades quilombolas - incluindo as que não dispõem de certificação junto a Fundação Palmares - não consta a referida comunidade de Altaneira.

No entanto, segundo informou ao Blog o professor e representante da comunidade Bananeira, Clécio Sousa, houve em 2018 uma visita de integrantes da CEQUIRCE aos moradores desta localidade. No encontro, teve roda de conversas sobre a história da formação dos quilombos e das comunidades remanescentes destes. “A partir dai eles se autoidentificaram”, destacou Clécio. Fato confirmado por outro morador, o Vangberto Amorim.

O Quilombo Bananeira tem agora outra missão e tão importante quanto a vacinação. É necessário dar entrada junto a Fundação Cultural Palmares para a obtenção dos documentos essenciais que o regularize e o certifique, o que permitirá sua inclusão no cadastro geral.

Três documentos são exigidos, de acordo com a Portaria nº 98, de 26/11/2007, da Fundação Palmares. Ata de reunião específica para tratar do tema de autodeclaração, se a comunidade não possuir associação constituída, ou Ata de assembleia, se a associação já estiver formalizada, seguida da assinatura da maioria de seus membros; um Relato Histórico da comunidade, entre duas e cinco laudas, dissertanto como ela foi formada, quais são seus principais troncos familiares, suas manifestações culturais tradicionais, atividades produtivas, festejos, religiosidade, etc.; e um Requerimento de certificação endereçado à presidência desta FCP.

Para saber mais sobre o caso, leia o artigo “Comunidades Quilombolas do Ceará: quantas têm e onde estão localizadas?”.

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