País mais ansioso do mundo segundo OMS, Brasil trata distúrbio como tabu

Autor: Redação Hypeness Data da postagem: 12:00 10/06/2019 Visualizacões: 159
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Foto: Divulgação - Reprodução

A ansiedade faz parte da rotina de muitos moradores de grandes centros urbanos. Parece que o sentimento se propagou e com isso o Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o país mais ansioso do mundo.

De acordo com matéria do Estadão Conteúdo, 18,6 milhões de brasileiros, ou 9,3% da população, convivem com o transtorno. Mesmo com o índice preocupante, pouco se fala sobre o assunto e o uso de medicamentos.

Metade dos portadores de ansiedade têm dores crônicas

Psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Daniel Martins de Barros diz que “as duas frases que eu mais ouço na clínica são ‘eu não queria tomar remédio’, na primeira consulta, e ‘eu não queria parar de tomar os remédios’, na consulta seguinte. A gente tem muita resistência porque existem muitos mitos: ficar viciado, bobo, impotente, engordar”.  

Muita coisa mudou nos últimos 30 anos e a partir de 1990, o popular Prozac entrou em cena e deixou no caminho queixas de dependência, por exemplo.

“Ou usávamos drogas bem pesadas, como barbitúricos, ou as que existem até hoje, como as faixas pretas, os benzodiazepínicos. Por isso, nós vimos várias tias, avós, viciadas em remédios e essa é uma das imagens gravadas quando pensamos em tratamentos psiquiátricos”, pontua Neury Botega, psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Estudos recentes mostram que o transtorno de ansiedade está presente em portadores da síndrome de burnout. O distúrbio vai integrar a próxima Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial de Saúde (OMS) como problema associado ao desemprego.

A síndrome é fruto do desgaste emocional e diretamente associada ao estresse crônico no trabalho, gerando também ansiedade.

“Quando nos deparamos com essa síndrome, em termos clínicos, ela também aparece em pessoas com ansiedade e depressão. Mas a diferença é que os sintomas do burnout são menos intensos e são atribuídos à questão do trabalho”, explica ao El País Antoni Bulbena, diretor de ensino e pesquisa do Instituto de Neuropsiquiatria e Dependências do Hospital del Mar.

Maior e mais populosa cidade do país, São Paulo apresenta índices de ansiedade semelhantes aos de países em guerra. Em 2014, a Universidade de São Paulo publicou estudo mostrando que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade.

São Paulo tem o maior número de registros

FAPESP divulgou estudo dos Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostrando que metade dos moradores da Região Metropolitana de São Paulo e portadores de ansiedade apresentam alguma dor crônica.

A mais comum foi transtorno de humor (50%), seguida de doenças respiratórias (33%), doença cardiovascular (10%), artrite (9%) e diabetes (7%).

“Já era esperado que houvesse uma relação forte entre essas doenças. O problema é que a prevalência de ansiedade e depressão em São Paulo é muito alta por causa do estresse. Com esses números precisamos atentar para a necessidade de passar a informação para o médico que está na linha de frente, no atendimento primário. É preciso reconhecer a comorbidade de ansiedade e depressão com as doenças crônicas que não se resume apenas à dor”, declara Laura Helena Andrade, coordenadora do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do IPq e uma das autoras do estudo.

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