EDITAL EQUIDADE RACIAL

ACESSAR

Brasileiras com baixa renda estão mais sujeitas a descobrir câncer avançado

Autor: Redação Folha Vitória Data da postagem: 18:00 21/06/2019 Visualizacões: 440
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:
247,7 mil casos foram analisados em mulheres com câncer de mama./Imagem: Reprodução - Folha Vitoria

Estudo comprova que comparando as realidades, a condição social e étnica faz diferença no diagnóstico precoce do câncer

Pesquisadores brasileiros realizaram um estudo e comprovaram que no Brasil, mulheres negras e sem educação formal estão mais sujeitas a descobrir o câncer de mama em estágio avançado. O artigo foi publicado na revista científica The Lancet no começo do mês de junho. 

Por outro lado, mulheres brancas com nível universitário, costumam descobrir a doença em estágio inicial, quando a chance de cura é maior.

Os pesquisadores, coordenados pela professora Isabel dos Santos Silva, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, analisaram 247,7 mil casos de mulheres diagnosticadas com câncer de mama entre 2001 e 2014.

"O estudo identificou que 40% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama entre 2001 e 2014 tinham a doença em estágio avançado, um estágio no qual as opções de tratamento são mais restritas e menos eficazes e, portanto, a sobrevida é pior", dizem informações do relatório.

O estudo comprova que comparando as realidades, a condição social e étnica faz diferença. "Também identificamos disparidades étnico-raciais e sociais persistentemente notáveis, com a prevalência de diagnósticos de câncer em estágio avançado sendo mais alta em mulheres que se identificaram como negras e pardas, que tinham pouca ou nenhuma educação formal e mais baixas em mulheres universitárias e identificadas como brancas", dizem os pesquisadores. 

Câncer de mama no Brasil 

O avanço do câncer de mama no Brasil tem relação direta com fatores sociais, principalmente pela dificuldade que classes sociais mais baixas no acesso ao sistema de saúde.

"Disparidades etno-regionais no acesso aos cuidados de saúde, incluindo o acesso ao rastreio mamográfico, têm sido observadas no Brasil por políticas de discriminação e falta de apoio para mulheres negras ou pardas", ressaltam os pesquisadores.

Um câncer de mama tardio, no momento do diagnóstico, "pode ser resultado de um tumor agressivo de rápido crescimento ou a consequência de longos atrasos entre o início do sintoma e o diagnóstico", destacam os estudiosos.

Mulheres que vivem em países de alta renda costumam fechar o diagnóstico de câncer de mama, em média, 30 dias após a identificação dos sintomas. No Brasil, esse período chega a ser entre sete e oito meses.

"Estimamos que cerca de 7.500 mortes por câncer de mama poderiam ter sido evitadas no Brasil em 2012, se 80% das mulheres com câncer de mama diagnosticadas no estágio 3 ou 4 nos cinco anos anteriores tivessem sido diagnosticadas com doença em estágio 2", finalizou os pesquisadores. 

Curta a nóticia:
Curta o CEERT: