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Projetos apoiam famílias negras impactadas pela crise do coronavírus

Autor: Bruna Ribeiro Data da postagem: 13:00 03/08/2020 Visualizacões: 474
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Projetos apoiam famílias negras impactadas pela crise do coronavírus/Imagem: CEERT

Em encontro virtual realizado pela plataforma Confluentes, que promove a visibilidade de causas estratégicas, dois importantes nomes conversaram sobre o impacto do coronavírus sobre a população negra, as periferias e as favelas: Raull Santiago, cofundador do Papo Reto e representante do Gabinete de Crise do Alemão, e Celso Athayde, presidente da Central Única das Favelas (CUFA). O tema é também mote da campanha Periferia Sem Covid: Vidas Negras Importam, promovida pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert).

De acordo com Santiago, o Gabinete de Crise do Complexo do Alemão, instituído no bairro que abriga um dos maiores conjuntos de favelas na Zona Norte do município do Rio de Janeiro (RJ), surgiu para pensar como traduzir e evoluir dicas básicas dos órgãos de saúde a partir da realidade de desigualdades do país.

“Com abastecimento de água precário que temos, lavar as mãos nem sempre é uma orientação fácil de seguir. Há também a dificuldade de isolamento, em casos de famílias numerosas que dividem um cômodo. Por isso passamos a dialogar com a comunidade e buscar soluções, como compartilhamento de água entre vizinhos que têm caixas de água em casa”, explicou. O grupo também trabalha com distribuição de alimentos.

Athayde também compartilhou a experiência de apoio às comunidades mais vulneráveis, a partir de campanhas e doações de alimentos. “Usamos o que tínhamos de ativo, que é a nossa grande rede nacional, construída ao longo de 20 anos, onde acessamos os estados. Precisamos dar velocidade às ações”, sugeriu.

Ainda segundo Athayde, muitas mulheres cuidam sozinhas dos filhos e dos idosos nas favelas. “Muitas delas são autônomas e recebiam por semana ou quinzena. O Governo Federal é negacionista. Se eles não reconhecem nem que o vírus é letal, como podemos esperar que façam alguma coisa? A sociedade vê a vida negra como menos importante, vide o assassinato de crianças. O poder público não tem interesse. Nós somos essa ponte e precisamos atuar”, convidou.

Dados

No Brasil, o número de negros mortos pela doença é cinco vezes maior em relação aos brancos, segundo levantamento da Agência Pública, com base nos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. 

Em São Paulo, dados do boletim epidemiológico da Prefeitura apontam que o risco de morte de negros por covid-19 é 62% maior em relação aos brancos.

Os números revelam a urgência de um olhar a respeito da desigualdade racial durante a pandemia do coronavírus. Apoie essa causa! 

Depósito para:

  • Titular:  Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT
  • CNPJ: 64.161.086/0001-17
  • Banco: Bradesco – 237
  • Agência: 3304 -9
  • Conta corrente:  6346-0
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