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Projeto minimiza desigualdade racial no acesso ao tratamento do HIV/Aids

Autor: Redação UFMG Data da postagem: 10:00 30/11/2020 Visualizacões: 46
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Grafite na sede do CRJ, em Belo Horizonte - Centro de Referência para a Juventude/Reprodução: UFMG

Desenvolvido pela UFMG, USP e UFBA, o estudo PrEP 15-19 tem 70% de jovens negros entre seus participantes

O ano de 2020 já entrou na história como um dos mais impactantes do século para a humanidade, por causa da covid-19 e da intensificação da luta por igualdade de direitos civis. A batalha contra a covid-19, ao mesmo tempo que ofusca outras doenças graves, como é caso do HIV/Aids, reforça a cruel desigualdade racial no acesso à saúde pública no Brasil.

Estudos como a PrEP 15-19 têm conseguido aumentar a representatividade racial e alcançar as populações que mais podem se beneficiar com profilaxias e tratamentos para o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A pesquisa avalia o uso da Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP) como parte da prevenção combinada, entre jovens de 15 a 19 anos que se identificam como gays, homens que transam com homens, mulheres trans e travestis. No Brasil, o estudo é realizado pela UFMG, USP e UFBA e conta com 69,5% de jovens que se autodeclaram negros.

“Os jovens negros, periféricos e que são mulheres trans são a população mais vulnerável e que consideramos chave para políticas de prevenção ao HIV”, afirma o infectologista Unaí Tupinambás, professor da Faculdade de Mecicina da UFMG e um dos coordenadores da PrEP 15-19 em Minas Gerais. Ele lembra que a prevalência de HIV e outras ISTs, como sífilis e gonorreia, é alta entre jovens de 15 a 19 anos. Para o HIV, essa prevalência está em torno de 5% a 6%, enquanto na população em geral o percentual é de 0,3% a 0,4%.

Acesso mais difícil

A população negra é a que mais morre no país com Aids, doença causada pelo vírus HIV quando ele não é diagnosticado e devidamente tratado. Na última década, as mortes pela doença aumentaram 22% na população negra, enquanto na população branca houve redução de 22%, de acordo com boletim do Ministério da Saúde de 2019. “Esses dados mostram que a população negra tem acesso mais precarizado do que a população branca à educação, saúde e informação. Isso reflete na prevenção do HIV e da Aids e também de outras doenças. Essa população também é a que está mais vulnerável e tem mais chances de morrer por covid-19, por exemplo”, comenta o professor do Departamento de Clínica Médica.

A falta de acesso dessa população às políticas de saúde é evidente em diferentes áreas, até mesmo na da concepção e pesquisa de medicamentos antirretrovirais. Estudo realizado por pesquisadores ingleses e sul-africanos, publicado em abril deste ano, no Journal of Virus Erradication, mostra que, para a aprovação dos últimos quatro medicamentos lançados (Dolutegravir, Bictegravir, Doravirina e Tenofovir Alafenamida), 7% dos participantes nos testes eram mulheres negras, 17%, homens negros, 13%, mulheres brancas, e 50%, homens brancos.

“Temos identificado, ao longo dos anos, nas pesquisas científicas e ensaios clínicos com medicamentos e vacinas, a sub-representação da raça negra e de outras etnias minoritárias. Isso pode interferir no uso daquele medicamento por essas populações devido a desconfianças”, destaca Tupinambás, acrescentando que o debate também tem sido feito com relação às pesquisas com vacinas contra a covid-19. “É preciso haver representatividade da população negra, inclusive para facilitar, quando for aprovada uma vacina, uma maior aceitação entre essa população.”

Porta de acesso

O projeto PrEP 15-19 tem sido porta de entrada dos jovens negros e com maior vulnerabilidade aos serviços de saúde e políticas para prevenção e tratamentos de HIV e ISTs. Os jovens que se apresentam podem optar pela profilaxia pré-exposição, por meio do uso diário de dois antirretrovirais associados em um único comprimido (tenofovir+emtricitabina). Aqueles que optam pelo não uso continuam tendo acesso à informação adequada sobre prevenção, camisinha, lubrificante, aconselhamento, teste para diagnóstico de HIV (feito no local ou com o autoteste) e de outras ISTs, tratamento ou encaminhamento para serviço especializado, além de orientações sobre a vacinação contra as hepatites A e B.

“O projeto tem sido uma oportunidade de trazer essa população chave para o ambiente de saúde e acolhê-la de forma adequada, por meio de educação em saúde, orientação sexual, exames de prevenção e outras ações para impedir que entrem em contato com o HIV e ISTs em uma fase tão precoce de suas vidas”, afirma Tupinambás.

Interessados podem entrar em contato pelo número de WhatsApp do projeto – (31) 99726-9307  – ou pelo perfil @nodeumatch, no Instagram. A assistência virtual Amanda Selfie também pode ajudar! É só chamá-la para conversar pelo site ou no Facebook (@amandaselfie).

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