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Vacinação contra Covid demonstra racismo, diz pesquisadora

Autor: Redação Isto É Data da postagem: 14:57 12/07/2021 Visualizacões: 233
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Mais da metade (61%) das pessoas que receberam o imunizante contra a Covid 19, em São Paulo, não tiveram sua cor identificada pelo sistema de saúde/Reprodução: Agência Brasil

Mais da metade (61%) das pessoas que receberam o imunizante contra a Covid 19, em São Paulo, não tiveram sua cor identificada pelo sistema de saúde. Os dados são de um estudo do Instituto Pólis, que mostra também que a aplicação da primeira e da segunda dose da vacina é menor nos bairros onde vive a maioria da população negra e mais pobre. O não-preenchimento do campo chega a 93% em áreas com maior padrão de renda e população majoritariamente branca.

“Conhecer o perfil da população vacinada, e isso inclui sua raça, é importante para o monitoramento da campanha de vacinação, assim como de qualquer outra política pública”, disse Danielle Klintowitz, coordenadora geral do Instituto Pólis.

Para a pesquisadora, a omissão da informação pode ser entendida como sintoma do racismo estrutural dentro do sistema de saúde e do modo com que se opera a produção de dados.

A vacinação contra a Covid-19 em São Paulo é menor nos bairros onde há mais mortes de pessoas com menos de 60 anos em decorrência da doença, e onde vive a maioria da população negra e mais vulnerávelda cidade. Inversamente, a região Sudoeste da capital, com a maior renda domiciliar (mais acesso à saúde e melhores condições de isolamento e proteção) do município, é a que mais foi imunizada, mesmo tendo as menores taxas de óbitos por Covid-19.

Segundo o Instituto Pólis, o direcionamento da vacinação para pessoas adultas com menos de 60 anos deveria priorizar (paralelamente aos grupos etários e portadores de comorbidades) regiões como Jd. Ângela, Grajaú, Cidade Ademar (na zona sul), Brasilândia, Cachoeirinha, Tremembé e Vila Medeiros (zona norte), Sapopemba, Itaquera, Vila Curuçá, São Miguel e Jd. Helena (zona leste), República, Pari e Santa Cecília (região central), regiões mais impactadas com mortes por Covid-19.

Os pesquisadores do Pólis defendem que direcionar a vacinação, concomitantemente ao critério dos grupos etários prioritários e com comorbidades, é uma estratégia mais efetiva uma vez que considera a geografia da pandemia. “A imunização à conta-gotas sem um direcionamento estratégico no espaço não garante a cobertura vacinal necessária para conter a circulação de um vírus tão contagioso como o que nos atinge”, explica Danielle Klintowitz.

A população negra registra, já desde os primeiros meses da pandemia, as maiores taxas de mortalidade, configurando o grupo demográfico mais impactado pelos óbitos da Covid-19 na cidade de São Paulo. Conter a transmissão e reduzir as mortes implica uma ação estratégica focada nos grupos mais afetados pela pandemia. Neste sentido, o planejamento da vacinação deveria tomar como prioridade os territórios onde há sobremortalidade da população preta e parda, assim como as áreas que anotam alta concentração de óbitos pela pandemia.

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