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1 em cada 3 assassinatos ocorridos na cidade de SP foi praticado por policiais, diz anuário

Autor: Redação G1 Globo Data da postagem: 10:00 26/09/2019 Visualizacões: 79
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Taxa de homicídios cai em SP, mas letalidade policial continua em alta / Foto: Reprodução - Portal Café Brasil

É a maior proporção dentre as capitais. No Brasil, 11% das mortes violentas foram praticadas pela polícia em 2018

Um em cada três assassinatos ocorridos em São Paulo no ano passado, ou 33,1%, foram praticados por policiais, de acordo com dados divulgados pelo 13º Anuário de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (10).

Na sequência do ranking das capitais com mais mortes praticadas por policiais proporcionalmente, vem a cidade do Rio de Janeiro, com 28,1%, e Goiânia, com 25,6%.

O percentual da capital paulista é 3 vezes maior do que a proporção de mortes pela polícia em relação ao total de assassinatos no Brasil, que em 2018 subiu de 8% para 11%.

Nos estados

Em 2018, o estado do Rio de Janeiro passou a ocupar a primeira posição na proporção de mortes violentas praticadas por policiais em serviço e de folga, com 23%. Líder em 2017, o estado de São Paulo ficou em segundo lugar com a proporção de 20%.

A Colômbia, que tem um uma taxa de mortes violentas semelhante ao do Brasil, tem só 1,5% das mortes cometidas por policiais. Já na Venezuela, que tem uma taxa de 72 mortes por 100 mil habitantes, a proporção é de 35% das mortes praticadas por policiais.

Para Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a polícia pode fazer uso da força letal em algumas situações, mas é preciso avaliar se ela era a melhor saída em todos os casos.

A principal vítima da polícia é homem, jovem e negra: 99,3% do sexo masculino, 75,4% negros e 68,2% têm entre 15 e 29 anos.

“Há um racismo institucional. Vivemos em um país racista e a polícia vai refletir o racismo”, diz Daniel Cerqueira, integrante do Fórum.

Policiais

Apesar da redução de 8% das mortes de policiais civis e militares em serviço ou de folga, o suicídio de policiais aumentou 42,5%.

Para o sargento Elisandro Lotin, presidente do Conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pode haver uma correlação entre o aumento da letalidade policial em todo o país, 19%, com o crescimento dos casos de suicídio.

"Por que temos um alto índice de afastamento e de suicídios de policiais? Porque, primeiro, todos nós sabemos que é uma profissão de pressão, isso é mundial. Mas no Brasil, isso é muito mais significativo. A pressão para resolver o problema lá na ponta é muito grande. Você tem que resolver o que não foi feito lá atrás. Há todo um discurso belicista, de enfrentamento, que encaminha a polícia nas ruas. Ele vai lá e vai matar. Na concepção do policial, ele é o super herói, e está tudo bem, mas ele não tem clareza que isso la na frente vai ter uma consequência, que é o aumento de suicídio", diz.

Segundo Lotim, apesar do registro de aumento de suicídios, muitos policiais têm dificuldade de dizer que estão com depressão, por exemplo.

"Aquela aura que se constrói em torno do policial herói se quebra. todo mundo vai saber que ele é um ser humano", completa.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública diz:

"São Paulo registrou novamente a menor taxa de casos e de vítimas de homicídios dolosos do país (6,5 e 7,8), assim como a menor taxa de mortes violentas intencionas (9,5), de acordo com o 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ao longo dos últimos anos, a SSP desenvolveu uma série de medidas para reduzir a letalidade policial no Estado. Entre elas, a resolução SSP 516/00, que separa os tipos de ocorrências nas quais os policiais estavam em serviço ou em folga e também os casos de mortes decorrente de oposição à intervenção policial dos homicídios dolosos. Já a resolução SSP 40/15 determina o comparecimento das Corregedorias e dos comandantes da região. Os casos só são arquivados após minuciosa investigação, seguida da ratificação do Ministério Público e do Judiciário. Nos últimos cinco anos, cerca de 60% dos confrontos ocorreram em casos de roubo."

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