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6 a cada 10 brasileiros já viram negros serem discriminados em locais comerciais, diz pesquisa encomendada pelo Carrefour

Autor: Gustavo Chagas Data da postagem: 14:00 30/04/2021 Visualizacões: 219
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Carrefour anuncia cláusula antirracismo em contratos/Reprodução: G1

Em 2020, homem negro foi morto por seguranças dentro de um estabelecimento da rede em Porto Alegre. Carrefour sustenta que vem adotando medidas afirmativas dentro e fora da empresa.

Uma pesquisa encomendada pelo Grupo Carrefour Brasil avaliou a opinião dos brasileiros sobre o racismo no país. Conforme levantamento, 61% da população disseram ter visto negros sendo discriminados em estabelecimentos comerciais como lojas, shoppings e supermercados. Entre a população preta e parda, o índice aumenta para 71%.

O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (28) em um debate virtual sobre racismo promovido pela empresa. Em 20 de novembro de 2020, um homem negro foi morto por seguranças dentro de uma loja do Carrefour em Porto Alegre.

A pesquisa da rede de supermercados também mostrou que a população considera o Brasil um país racista, mas que, individualmente, não se vê como preconceituosa. Os entrevistados ainda disseram que os negros estão mais sujeitos a atos de violência, abuso policial e desigualdade no mercado de trabalho. Veja os números abaixo.

O vice-presidente de Recursos Humanos do Carrefour, João Senise, afirmou que, a partir de quinta (29), a empresa firmará uma cláusula antirracismo em contratos com fornecedores e prestadores de serviço (veja vídeo acima).

"Esse é um compromisso que será assumido por todos", disse.

O Carrefour sustenta que, desde a morte de João Alberto, atua em ações contra o racismo na empresa. O grupo varejista diz ter ampliado a representatividade do pessoal, financiado ações contra o preconceito racial e promovido mudanças na gestão da segurança dos estabelecimentos.

O CEO do Carrefour Brasil, Nöel Prioux, afirmou que a morte de João Alberto provocou "indignação e revolta".

"O fato ocorrido em uma de nossas lojas, em Porto Alegre no final do ano passado, é um triste exemplo. O ato de violência que levou a vida de João Alberto chocou o pais e, com razão, abalou a nossa imagem. Mas, muito mais do que isso, provocou um sentimento de indignação e revolta a nossos corações", comentou.

João Alberto Silveira Freitas foi espancado até a morte por seguranças em loja do Carrefour em Porto Alegre — Foto: Reprodução

Pesquisa

Os dados foram reunidos entre os dias 15 e 20 de abril, após 1.630 entrevistas telefônicas realizadas pelo Instituto Locomotiva em 72 cidades do país. A margem de erro é de 2,1% e o intervalo de confiança é de 95%.

O estudo mostra que 56% dos brasileiros se consideram negros. São 119 milhões de pessoas, sendo 99 milhões de pardos e 20 milhões de pretos. Quase a metade desse contingente é de moradores das regiões Norte e Nordeste.

A maioria da população considera o Brasil racista contra a população negra, são 84% os que pensam assim. O número, entretanto, é maior justamente entre os negros.

Presente no evento virtual, o pesquisador e filósofo Silvio Almeida explicou que o pensamento que levou à escravidão de negros ainda é base da sociedade e da economia brasileira, na forma do racismo.

"A escravidão e os processos de formação da nossa sociedade têm como base uma sociedade que foi uma sociedade escravocrata. Ainda que essa sociedade não seja mais uma sociedade que se mova pelo trabalho escravo, ainda que existam ainda casos em que isso ocorra, mas a questão central que tem que entender como todo edifício da sociedade, eu estou falando da política, da economia, eu estou falando do mercado, ainda tem como base a escravidão."

Enquanto 89% dos pretos e pardos consideram o país racista, 74% das pessoas com outra cor de pele têm a mesma opinião.

Por outro lado, quando são questionados sobra a própria conduta, apenas 4% dos brasileiros se assumem racistas. Outros 85% afirmam que são contra o racismo e combatem o preconceito.

Ainda assim, 43% dos brancos não gostariam de ter um filho casado com uma pessoa negra.

Violência e abuso policial

Nove a cada 10 pessoas reconhecem que os negros sofrem mais violência física do que os brancos. A pesquisa ainda mostra que 54% dos negros relataram que já foram abordados pela policia, frente a 29% dos brancos.

Entre os que já sofreram abordagem, 41% já passaram por isso mais de cinco vezes. A maioria dos negros relata casos de desrespeito e agressões verbais por parte dos policiais. Um quinto já sofreu agressão física. Os números aumentam entre pessoas pretas.

Ao todo, 95% dos respondentes consideram a polícia racista.

Mercado de trabalho

A pesquisa aponta que 76% dos brasileiros consideram que pessoas negras são discriminadas no mercado de trabalho. Metade dos trabalhadores pretos e um quarto dos negros já sofreram preconceito no ambiente de trabalho.

Trabalhadores não negros ganham, em média, 76% a mais do que os negros.

Sete a cada dez dos brasileiros têm chefes brancos. E pouco mais da metade diz que não reagiria bem diante de um chefe negro.

No estudo, 56% dos trabalhadores brasileiros dizem ter pouca ou nenhuma diversidade de raça/cor na empresa em que trabalham. Entre os trabalhadores negros, o número sobe para 69%.

O levantamento mostra que 93% das pessoas consideram empresas racistas, outros 84% afirmam que empresas não se importam com seus consumidores, apenas com seus lucros.

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