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Pesquisa relaciona truculência policial e raça: 85% das pessoas abordadas são negras

Autor: Redação Hypeness Data da postagem: 14:00 25/06/2021 Visualizacões: 168
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Pesquisa revela que as abordagens policiais tem como principais alvos os jovens negros, que também são as maiores vítimas da violência da PM/Reprodução: Hypeness

Em parceria com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), o Data Labe, laboratório de informações e narrativas do Complexo da Maré, obteve um dado que evidencia o racismo no nosso país: 85% das pessoas que já sofreram abordagens da polícia são negras.

A campanha-pesquisa ‘Por que eu?’ busca jogar luz sobre a escuridão dos dados sobre a truculência policial no país: sem dados sobre as abordagens das polícias do Brasil, o Data Labe e o IDDD decidiram coletar essas informações com a população para entender a realidade estatística das abordagens.

“Não há na base da polícia dados de abordagem policial. Então a ideia é realmente discutir, sair do imagético. Construir dados para discutir como a raça interfere nas abordagens policiais. Nós sempre dizemos que isso acontece, agora mostraremos os dados”, explica a cientista de dados do Data Labe Samantha Reis.

Então, o Data Labe rodou um questionário para a população: foram 1761 respostas com garantia de anonimato que exibiram a face do racismo no Brasil: 85% dos abordados pela polícia são negros e 55% são homens. “É bem interessante como a figura da pessoa negra é lida como um medo social, um perigo pela polícia”, completa Samantha

“Os dados compilados estabelecem um padrão muito simples: jovens negros são abordados indistintivamente. Além disso, mostram que o tratamento recebido é muito mais violento e opressor quando comparado às respostas das pessoas autodeclaradas brancas. Esse mapeamento ocupa um lugar que é deixado propositalmente vazio pela polícia. O estado, não divulgando seus dados sobre abordagens, reproduz sua conduta: a subjetividade.”, comenta o coordenador do Data Labe Paulo Mota.

“A polícia já tem o jovem negro como suspeito e por isso o abordam mais e mais violentamente. Então os dados pressionam para que haja critérios claros e documentação pertinente para cada abordagem, em acordo com a decisão da corte interamericana em caso apresentado pelo IDDD. Assim, os dados vão encorpar defesas, ações no Ministério Público para pressionar por critérios mais claros de abordagens e assim frear a ação racista da polícia”, completa.

Confira um vídeo da campanha-pesquisa:

 
 
 
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Samantha Reis, que participou da elaboração da pesquisa, vai dar uma palestra no festival Social Good Brasil falando sobre como o uso de dados pode ser transformador. No dia 24 de junho, das 19h às 21h30, a Samantha vai compartilhar um pouco da sua experiência no SGB 365. O evento é gratuito e mostra como a informação pode ser transformadora para a nossa realidade.

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