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Suicídio entre jovens cresce 57,1% em Londrina

Autor: Erika Pelegrino Data da postagem: 15:25 13/09/2014 Visualizacões: 24628
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Ainda envolto em tabu, o suicídio avança silenciosamente, deixando um rastro de dor e de sofrimento, além de perguntas sem respostas, entre aqueles que ficam. Em cinco anos, o número desses casos em Londrina, de acordo com a Vigilância Epidemiológica, aumentou 52%, passando de 25 em 2009 para 38 em 2013.

Entre os mais jovens, o crescimento foi de 57,1%, passando de sete para 11. Este percentual é quase o dobro do apontado por dados de 2013 da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os quais, nos 25 anos anteriores, o número de suicídios entre os mais jovens aumentou pelo menos 30%.

Ontem foi comemorado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, estabelecido pela OMS, segundo a qual 1 milhão de pessoas no mundo tiram a própria vida a cada ano. No Brasil, são 26 por dia. Em Londrina, foram 151 suicídios na faixa etária de 10 a mais de 80 anos, entre 2009 e 2013.

Na cidade, a maior incidência está na faixa etária entre 20 e 29 anos, com 40 registros nos cinco anos analisados. Na sequência, vem a faixa entre 40 e 49 anos, com 37 casos; e, depois, a de 30 a 39 anos, com 25. Somados os casos, a faixa entre 20 e 49 anos corresponde a 67,5% do total de mortes por suicídio entre 2009 e 2013.

Os dados locais mostram também que 73,5% das pessoas que tiraram a própria vida nos cinco anos analisados eram homens, ou seja, 111 de 151. Já as mulheres correspondem a 26,5%, com 40 casos.

Prevenção
Como o tema ainda está envolto no silêncio, os casos registrados em Londrina, assim como no Brasil e no mundo, correspondem apenas a uma parte do total de pessoas que estão tirando a própria vida. Diante deste cenário, especialistas alertam para a importância de abordar o assunto para a sua prevenção.

O crescimento de casos entre os mais jovens é um dos fatores preocupantes. Em entrevista concedida em dezembro do ano passado ao JL e à Rádio UEL, o psicoterapeuta Ivan Capelatto, de Campinas (SP), alertou para a alta incidência de suicídios entre adolescentes e jovens.

“O que a gente tem encontrado nos estudos é a decepção com a família, com amigos, consigo mesmo, porque começou a ficar muito difícil pertencer a essa sociedade pós-moderna. Há suicídios cujo objetivo é machucar o outro, mas há suicídios que são a insuportabilidade de viver”, disse o psicoterapeuta.

Na abordagem de Capelatto, a prevenção está associada ao cuidado com crianças e adolescentes no sentido de mudar a lógica que vem se estabelecendo na sociedade pós-moderna, na qual se confunde prazer com felicidade, privilegia-se o ter sobre o ser.

“Para fazer a prevenção, temos de começar a mostrar para a criança valores como afeto, carinho pelo outro; os pais devem ficar mais juntos dos filhos, fazer com que as crianças suportem o desprazer, sempre colocando limite como: ‘não, agora não pode’. Eles precisam sentir que deverão buscar um sonho, buscar uma relação com a vida”, explicou.

Falar sobre suicídio pode salvar vidas

“As coisas não mudam se não falarmos sobre elas. Falar sobre o suicídio pode salvar uma vida.” O alerta é da psicóloga Karen Scavacini, de São Paulo. Ela ajudou a revisar relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre suicídio e é mestre em Saúde Pública na área de Promoção de Saúde Mental e Prevenção ao Suicídio do Instituto Karolinska – Suécia (2011).

A psicóloga afirma que é possível prevenir o suicídio a partir do momento que se lança luz sobre causas, fatores de risco, sinais de risco e fatores de prevenção. Quanto mais as pessoas tiverem conhecimento sobre o assunto, mais condições terão de reconhecer quando alguém ao seu lado está correndo o risco de tirar a própria vida.

Sobre os sinais de risco, ela destaca que são comportamentais e verbais. Deve-se ficar atento quando alguém próximo apresenta mudança significativa de comportamento, isolamento, sentimento de desesperança, de desamparo, quando tem falas como: “não aguento mais essa vida, vou acabar com isso”.

Entre os fatores de risco estão, segundo Karen, o abuso sexual na infância, o bullying, as perdas não elaboradas, a perda recente de um parente por suicídio, o fácil acesso ao meio para tirar a vida, os transtornos mentais, o histórico de depressão, o abuso de álcool e drogas e as doenças incapacitantes. Já entre os fatores de risco, a falta de sentido para a vida e o sentimento de desesperança são determinantes. “Viver para estas pessoas passa a ser mais doloroso do que morrer.”

Karen afirma que há os fatores de proteção como autoconfiança, sentimento de valor pessoal, apoio familiar e de amigos, sentimento de pertencimento, bons relacionamentos, capacidade de pedir ajuda, boa alimentação e bom sono.

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