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Justiça Climática e Transição Justa

A área de Justiça Climática e Transição Justa do CEERT parte do entendimento de que não há solução para a crise climática sem o enfrentamento das desigualdades raciais e sociais que estruturam a sociedade brasileira. No país, os impactos das mudanças climáticas, como enchentes, secas e desastres ambientais, atingem de forma desproporcional populações negras, periféricas e povos tradicionais, que historicamente foram excluídos do acesso a direitos e oportunidades.

Esse cenário é resultado de um processo histórico que articula exploração ambiental e desigualdade racial desde o período colonial, cujos efeitos permanecem na forma como territórios são ocupados, recursos são distribuídos e decisões são tomadas. Por isso, a promoção da justiça climática exige uma abordagem antirracista, capaz de reconhecer e enfrentar o racismo ambiental e de garantir que populações negras e indígenas sejam protagonistas na construção de soluções.

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No campo do trabalho, esse desafio se expressa na necessidade de uma transição justa para uma economia de baixo carbono. Embora setores como energias renováveis e restauração ambiental estejam em expansão, a realidade mostra que essas áreas tendem a reproduzir desigualdades já presentes no mercado de trabalho.

Essa tendência se confirma em dados recentes analisados pelo CEERT, que debatem a composição social, racial e de gênero dos empregos formais nos setores de geração de energia elétrica e restauração ambiental a partir de levantamento realizado com 378 empresas do ramo de geração de energia e 64 do setor de reflorestamento.

A pesquisa mostra que, embora o discurso sobre empregos verdes e transição energética justa esteja ganhando força no Brasil, a estrutura social que sustenta esses setores ainda é marcada por fortes desigualdades de raça e gênero.

Confira os dados neste link

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Iniciativas da área

O CEERT atua para promover uma transição ecológica que seja, ao mesmo tempo, justa e antirracista, garantindo o trabalho digno, equidade racial e de gênero e participação efetiva das populações mais impactadas nas decisões sobre o presente e o futuro dos territórios. A área articula produção de conhecimento, incidência em políticas públicas e atuação direta com juventudes, empresas e instituições estratégicas, conectando justiça climática, equidade e desenvolvimento sustentável. Conheça nossas iniciativas:

Incubadora Socioambiental Colmeia

O Colmeia é uma iniciativa de incubação de trajetórias da juventude negra voltada à proposição de soluções para os efeitos das mudanças climáticas em seus territórios. Mais do que apoiar projetos socioambientais, o programa promove o desenvolvimento integral desses jovens, fortalecendo seu protagonismo e valorizando saberes comunitários. A iniciativa busca conectar experiências locais a debates e agendas globais, como adaptação climática e resiliência, contribuindo para que políticas públicas reconheçam a juventude negra como agente central na construção de respostas à crise climática.

Empregos verdes e políticas públicas

O CEERT desenvolve ações voltadas à produção de conhecimento e à incidência sobre políticas públicas relacionadas aos empregos verdes. O foco é evidenciar e enfrentar desigualdades raciais e de gênero nesse campo, contribuindo para que a transição ecológica seja justa e antirracista.

Equidade no setor climático

Realizamos workshops e processos formativos voltados a instituições estratégicas, com o objetivo de incorporar a perspectiva antirracista nas agendas de empregos verdes e transição ecológica. A atuação busca influenciar estruturas institucionais “por dentro”, promovendo mudanças sustentáveis em políticas e práticas.

Reflorestamento e energias renováveis

Produzimos diagnósticos e planos de ação nos setores econômicos de reflorestamento e energias renováveis. Neste sentido, a organização conduz ciclos formativos e de mentoria para promoção de equidade racial e de gênero nas empresas do setor de reflorestamento e do setor eletroenergético, em parceria com instituições como Imaflora, o Pacto Global da ONU e o Comitê Permanente para Questões de Gênero, Raça e Diversidade do Ministério de Minas e Energia (Cogemmev).

A iniciativa tem como objetivo implementar estratégias de equidade racial, em intersecção com gênero, em instituições empregadoras como fundamento de políticas e práticas organizacionais estruturadas.

Autor do texto: Daniel Bento Teixeira

Diretor CEERT
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Imagem Ceert

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